A nova ação do CASA provoca uma reflexão urgente sobre como a sociedade enxerga, ou ignora, quem vive em situação de rua.
O CASA (Centro de Apoio ao Sem-Abrigo), organização portuguesa que atua no apoio a pessoas em situação de rua, lança em março de 2026 a campanha “Ninguém é descartável”, uma iniciativa que denuncia a invisibilidade social dessa população e convoca a sociedade portuguesa a agir. O projeto foi criado e produzido pelo Studio Nuts, estúdio criativo com operações no Brasil e em Portugal, responsável pelo conceito e pela realização completa da campanha.
Campanha “Ninguém é descartável” usa metáfora visual para sacudir consciências
No centro da campanha está um filme de 90 segundos desenvolvido para exibição em salas de cinema. A narrativa acompanha um homem feito de papelão que se mistura ao ambiente urbano, quase imperceptível entre as paredes, calçadas e o barulho da cidade.
A escolha do material não é aleatória. O papelão evoca diretamente o cotidiano de quem dorme nas ruas, ao mesmo tempo em que reforça a ideia de algo descartável, frágil, fácil de ignorar. Essa dupla leitura é o coração da mensagem.
“O personagem simboliza como muitas vezes essas pessoas são tratadas como parte do cenário ou até como algo descartável”, explica Tico Moraes, sócio do Studio Nuts.
À medida que a história avança, um pequeno gesto de solidariedade muda tudo. Partículas douradas começam a surgir ao redor da figura, e o homem de papelão se transforma novamente em um ser humano. É uma imagem simples, mas carregada de significado.
O mecanismo por trás da ação: consignação do IRS
Mais do que emocionar, a campanha tem um objetivo prático e direto. Ela convida os contribuintes portugueses a destinarem 1% do seu IRS ao CASA durante a declaração anual de imposto de renda.
O mecanismo, chamado de consignação do IRS, permite que qualquer cidadão direcione uma parcela do imposto que já pagaria ao Estado para uma instituição de sua escolha. Não há custo extra. O valor não sai do bolso do contribuinte; ele apenas decide para onde parte desse dinheiro vai.
O processo é simples e ocorre dentro da própria declaração anual. Basta indicar a entidade escolhida no campo correspondente. O impacto, no entanto, pode ser significativo para organizações como o CASA, que dependem dessas contribuições para manter seus serviços de apoio a pessoas em situação de rua.
Distribuição ampla para alcançar o maior número de pessoas
A campanha “Ninguém é descartável” foi estruturada para circular em múltiplos canais e formatos. Além do filme principal de 90 segundos para cinemas, foram produzidas versões de 30 e 15 segundos voltadas para televisão, plataformas digitais e redes sociais.
A comunicação ainda conta com quatro peças visuais adaptadas para mídia impressa e digital, garantindo presença tanto em ambientes físicos quanto no ambiente online.
Essa distribuição multiplataforma é uma escolha estratégica. Ela garante que a mensagem alcance diferentes perfis de público, de quem assiste a filmes no cinema a quem consome conteúdo rapidamente no celular, maximizando o alcance da causa.
A estratégia por trás da mensagem
Campanhas de conscientização social enfrentam um desafio constante: como fazer com que alguém pare, olhe e, de fato, se mova por uma causa? A resposta do Studio Nuts para o CASA foi ancorar a mensagem em uma experiência emocional antes de apresentar o apelo racional.
A metáfora do papelão funciona porque é visual, imediata e universal. Ninguém precisa de explicação para entender o que significa ser tratado como descartável. E a transformação pela solidariedade, representada pelas partículas douradas, oferece ao espectador uma saída emocional: a sensação de que um gesto pequeno pode mudar algo real.
Essa estrutura narrativa, do problema à solução, com um gancho emocional no centro, é uma das abordagens mais eficazes em comunicação de causas sociais. Quando bem executada, ela não apenas informa. Ela engaja, move e converte intenção em ação.
A campanha “Ninguém é descartável” chega em um momento em que o debate sobre moradia e exclusão social ganha força em Portugal e em toda a Europa, reforçando a relevância do papel do CASA e das ferramentas que o cidadão comum já tem à disposição para contribuir.

