Investir em publicidade no Facebook, Instagram e WhatsApp ficou mais caro para empresas brasileiras. A Meta passou a repassar impostos federais diretamente aos anunciantes, aumentando em 12,5% o custo de todas as campanhas. A mudança já está em vigor e impacta desde pequenos negócios até grandes marcas que dependem das plataformas para vender e se comunicar com o público.
Quanto você vai pagar a mais
Para entender o impacto na prática, veja exemplos concretos de como o aumento de 12,5% afeta diferentes níveis de investimento:
Investimento de R$ 1.000 por mês Antes: R$ 1.000 em anúncios Agora: R$ 1.125 para o mesmo alcance Diferença: R$ 125 a mais por mês, ou R$ 1.500 por ano
Investimento de R$ 5.000 por mês Antes: R$ 5.000 em anúncios Agora: R$ 5.625 para o mesmo alcance Diferença: R$ 625 a mais por mês, ou R$ 7.500 por ano
Investimento de R$ 20.000 por mês Antes: R$ 20.000 em anúncios Agora: R$ 22.500 para o mesmo alcance Diferença: R$ 2.500 a mais por mês, ou R$ 30.000 por ano
Esses valores representam custo adicional que não gera mais alcance, mais cliques ou mais vendas. É simplesmente o repasse de impostos que a Meta decidiu transferir aos clientes brasileiros.
Por que a Meta está cobrando mais caro
Até recentemente, a Meta absorvia parte da carga tributária incidente sobre suas operações no Brasil. Com a nova política, tributos como PIS, Cofins e ISS passaram a ser repassados integralmente aos anunciantes.
A empresa segue movimento semelhante ao de outras big techs globais que operam no país. Google, Amazon e Microsoft já adotaram práticas parecidas em diferentes serviços, transferindo custos fiscais aos clientes finais.
O percentual de 12,5% já está sendo aplicado automaticamente em todas as cobranças da plataforma, tanto em campanhas novas quanto nas que já estavam rodando. Anunciantes relatam que o aumento aparece discriminado na fatura como “impostos e taxas”.
Impacto no dia a dia das campanhas
Para quem trabalha com marketing digital, o repasse muda completamente a matemática das campanhas. Um orçamento mensal de R$ 10 mil, que antes rendia determinado número de impressões e cliques, agora precisa ser de R$ 11.250 para manter os mesmos resultados.
Pequenas e médias empresas são as mais afetadas. Negócios que operam com margens apertadas e dependem do Meta Ads para gerar vendas precisam escolher entre reduzir alcance das campanhas ou aumentar investimento total.
Agências de publicidade enfrentam desafio duplo: explicar o aumento aos clientes e ajustar contratos que não previam esse tipo de repasse. Quem não revisar acordos comerciais rapidamente pode acabar absorvendo a diferença de 12,5% do próprio bolso.
A mudança também afeta a competitividade nos leilões de anúncios. Setores como e-commerce, educação e serviços financeiros, que já disputam espaços caros nas plataformas, veem os custos subirem ainda mais.
O que fazer para não perder dinheiro
Profissionais de marketing e donos de negócio precisam agir rápido para minimizar o impacto do aumento. Veja o que fazer:
Revisar todos os contratos imediatamente
Se você é agência, atualize contratos com clientes para incluir cláusula específica sobre repasses tributários. Isso protege sua margem de lucro e evita surpresas desagradáveis no futuro. O ideal é deixar claro que variações fiscais e cambiais podem afetar os custos de mídia digital.
Se você é anunciante, converse com sua agência ou gestor de tráfego para entender como o aumento será tratado. Exija transparência total sobre os valores cobrados.
Recalcular todo o planejamento de mídia
Pegue seu orçamento atual e multiplique por 1,125. Esse é o valor real que você precisa investir para manter os mesmos resultados. Se não puder aumentar o budget, prepare-se para reduzir alcance, frequência ou duração das campanhas.
Considere realocar parte da verba para outras plataformas. Google Ads, TikTok Ads e LinkedIn Ads podem oferecer melhor custo-benefício dependendo do seu público e objetivo.
Otimizar campanhas ao máximo
Com custo 12,5% maior, cada real investido precisa render mais. Foque em:
- Segmentações ultra precisas, eliminando públicos que não convertem
- Criativos de alta performance, testados e validados com dados reais
- Remarketing qualificado, priorizando quem já demonstrou interesse
- Públicos lookalike bem construídos, baseados em seus melhores clientes
- Funis de vendas otimizados, reduzindo desperdício em cada etapa
Comunicar mudanças com transparência
Se você gerencia campanhas para clientes, prepare um comunicado oficial explicando o aumento. Inclua:
- Motivo do repasse (decisão da Meta, não sua)
- Impacto financeiro concreto (mostre os números)
- Alternativas estratégicas (diversificação, otimização, formatos orgânicos)
- Plano de ação para manter resultados
Transparência evita desgastes, cancelamentos e perda de confiança.
Investir mais em conteúdo orgânico
Com mídia paga mais cara, estratégias orgânicas ganham importância. Reels, Stories e posts bem planejados podem compensar parte da redução de alcance pago.
Parcerias com criadores de conteúdo, estratégias de engajamento e construção de comunidade são investimentos de longo prazo que reduzem dependência de anúncios pagos.
Tendências do mercado e o que esperar
O repasse da Meta não é caso isolado. Outras plataformas digitais devem seguir caminho semelhante ao longo de 2026, à medida que governos estaduais e municipais intensificam cobrança de impostos sobre serviços digitais estrangeiros.
Para o mercado publicitário brasileiro, isso significa adaptação constante. Profissionais que acompanham mudanças regulatórias e fiscais saem na frente, antecipando ajustes e orientando clientes de forma estratégica.
A tendência é que custos de mídia digital continuem subindo, forçando marcas a serem mais eficientes e criativas. Quem depende exclusivamente de tráfego pago precisa diversificar estratégias urgentemente.
Oportunidades no meio da crise
Apesar do impacto negativo, a situação abre espaço para profissionais demonstrarem valor real. Agências e gestores de tráfego que conseguem manter ou melhorar resultados mesmo com custos 12,5% maiores fortalecem reputação e fidelizam clientes.
A necessidade de maior eficiência impulsiona inovação. Testes com novos formatos, exploração de recursos como WhatsApp Business e automações inteligentes podem revelar oportunidades antes negligenciadas.
Além disso, a revisão forçada de contratos e processos internos pode expor outras ineficiências operacionais, gerando melhorias que vão além da questão tributária. O momento é ideal para renegociar condições comerciais e criar modelos de precificação mais sustentáveis.

