Mumsnet lidera iniciativa “Rage Against the Screen” no Reino Unido, exigindo regulamentação e banimento para menores de 16 anos, enquanto o Brasil avança em legislação similar.
A campanha britânica “Rage Against the Screen”, lançada pelo Mumsnet, a maior comunidade online de mães do Reino Unido, está gerando um debate significativo ao comparar o uso de redes sociais por adolescentes aos riscos do tabagismo. A iniciativa utiliza a estética de avisos sanitários de maços de cigarro em cartazes para alertar sobre os perigos, como o aumento da probabilidade de automutilação e o dobro do risco de ansiedade para usuários que passam três horas ou mais por dia nas plataformas . O objetivo central é pressionar por uma regulamentação mais rigorosa, incluindo o banimento de redes sociais para menores de 16 anos.

Campanha “Rage Against the Screen” exige regulação
A campanha britânica, criada pela agência adam&eveTBWA, emprega uma comunicação direta e impactante. Os cartazes exibem frases como “três horas ou mais de redes por dia aumentam a probabilidade de automutilação em adolescentes” e “vício em celular dobra o risco de ansiedade” . Essa abordagem visa deslocar a discussão de uma questão de “controle parental” para uma de “regulação de produto”, argumentando que os pais não podem competir com modelos de negócio construídos sobre o vício .

A fundadora do Mumsnet, Justine Roberts, enfatiza que a analogia com o cigarro não é meramente retórica. Ela lembra que, nos anos 1990, os alertas em maços de cigarro foram inicialmente considerados alarmistas pela indústria do tabaco, mas hoje são lei em quase todo o mundo . A campanha britânica espera que o mesmo aconteça com as redes sociais, forçando as plataformas a assumirem maior responsabilidade pelos impactos na saúde mental dos jovens.
Debate sobre restrições avança no Brasil e no Reino Unido
No Brasil, o debate sobre a regulamentação das redes sociais para menores também tem progredido. Em junho de 2025, o Senado aprovou o PL 3.628/2024, que proíbe o acesso de menores de 12 anos a redes sociais e exige consentimento dos pais para adolescentes de 12 a 15 anos . A lei foi sancionada pelo presidente Lula em janeiro de 2026, com um prazo de um ano para as plataformas se adaptarem . A Austrália já implementou legislação semelhante, banindo redes para menores de 16 anos .
O governo britânico, por sua vez, lançou uma campanha de conscientização para pais, “You Won’t Know until You Ask”, que oferece orientações sobre como conversar com os filhos sobre conteúdo tóxico online e usar configurações de segurança . Paralelamente, o Reino Unido abriu uma consulta pública sobre medidas de longo prazo, incluindo a possibilidade de restringir ou banir o acesso às redes sociais para menores, em moldes semelhantes aos adotados pela Austrália . O primeiro-ministro Keir Starmer prometeu medidas para restringir o acesso de menores “em meses, não anos”, sem confirmar um banimento total .
Análise e Implicações da campanha britânica
A estratégia do Mumsnet de equiparar as redes sociais ao cigarro busca uma mudança de paradigma na forma como a sociedade e os legisladores encaram o impacto dessas plataformas. Ao invocar a memória das campanhas antitabagistas, a iniciativa tenta acelerar a adoção de medidas regulatórias robustas, transferindo a responsabilidade primária da supervisão parental para a regulação das empresas de tecnologia . Essa abordagem é reforçada por dados que indicam que 92% dos pais britânicos estão preocupados com o efeito das redes na saúde mental dos filhos, e mais de 60% acreditam que seus filhos são viciados em celular ou redes sociais .
A pressão por regulamentação reflete uma crescente preocupação global com a saúde mental de crianças e e adolescentes, com estudos apontando para a relação entre o uso excessivo de redes sociais e problemas como ansiedade, depressão e cyberbullying . A discussão também aborda a eficácia de diferentes abordagens, como a proibição de celulares em escolas, já adotada por muitas instituições no Reino Unido e em países como Portugal , e a sugestão de selos de alerta, como os de cigarro, para as redes sociais, proposta pelo cirurgião-geral dos EUA, Vivek Murthy, embora sua eficácia seja questionada por alguns estudos . A campanha britânica serve como um modelo de comunicação para outros países, incluindo o Brasil, que buscam um debate público mais robusto sobre a regulamentação de redes sociais e a proteção dos jovens no ambiente digital.

