A rede de fast food aproveitou a polêmica em torno da nova camisa da seleção brasileira para reforçar um atributo que é seu por direito.
A Nike lançou a nova camisa da seleção para a Copa do Mundo Fifa 2026 com o bordão “Vai Brasa” e abriu, sem querer, espaço para uma das melhores ações de newsjacking do ano. O Burger King não deixou passar. Em um vídeo criado pela agência Jotacom, a rede lembrou ao Brasil inteiro que brasa, de verdade, é a que eles usam para grelhar os hambúrgueres há décadas.
Burger King entra no debate da camisa da seleção
A peça é direta. Enquanto o país discutia se o uniforme deveria chamar “Brasil” ou “Brasa”, o Burger King apareceu com uma resposta simples: brasa é fogo real, é grelha, é o processo que diferencia seus lanches da concorrência.
A ação não ataca a Nike nem toma partido no embate com a CBF. Ela apenas ancora a marca em uma conversa que já estava acontecendo, com altíssimo volume e engajamento espontâneo nas redes sociais.
O timing foi preciso. E o custo de mídia, mínimo.


A polêmica que deu origem à campanha
O estopim foi o lançamento do novo uniforme da seleção. A Nike, em parceria com a Jordan Brand, apresentou a camisa sob o conceito “Alegria que Apavora” e adotou o bordão “Vai Brasa” como identidade da campanha.
Rachel Denti, designer da Nike no projeto, defendeu a escolha. Para ela, o termo é uma gíria usada nas ruas e nas arquibancadas, que representa o Brasil “na sua mais pura versão”.
A CBF discordou. Samir Xaud, presidente da entidade, afirmou que foi surpreendido pelo uso do termo e vetou a grafia no uniforme oficial.
“O nosso nome é Brasil. Então, vai ter Brasil no nosso meião e não brasa”, declarou Xaud em entrevista à ESPN Brasil.
Com o debate em ebulição, o Burger King entrou na conversa no momento certo.
A estratégia por trás da ação do Burger King
Apropriar-se de um assunto em alta para gerar visibilidade de marca tem nome: newsjacking. Mas a execução precisa ser rápida, relevante e, acima de tudo, coerente com a identidade da empresa.
O Burger King reuniu os três elementos. A brasa não é um conceito inventado para a ocasião. É um atributo real do produto, comunicado há anos. O que a campanha fez foi reposicioná-lo dentro de um contexto de altíssima audiência.
O resultado é percepção de marca ampliada sem grande investimento em mídia paga. Em um ciclo de notícias dominado pela camisa da seleção 2026, a rede transformou a polêmica alheia em vitrine própria, sem abrir mão do que já a diferencia no mercado.

