Bayer acusa Johnson & Johnson de alegações “impróprias” sobre eficácia do Erleada no tratamento de câncer de próstata.
A Johnson & Johnson (J&J) está no centro de uma disputa judicial, sendo processada pela Bayer AG por propaganda enganosa. A ação, movida por uma unidade da Bayer nos Estados Unidos, alega que a campanha publicitária do medicamento Erleada, da J&J, faz “alegações impróprias e enganosas” sobre sua segurança e eficácia no tratamento de câncer de próstata. O processo foi protocolado em um tribunal federal de Nova York na segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026.
Johnson & Johnson sob acusação de propaganda enganosa no setor farmacêutico
A Bayer sustenta que as declarações da Johnson & Johnson estão prejudicando as perspectivas de mercado de seu próprio medicamento para câncer de próstata, o Nubeqa. O processo busca uma ordem judicial para que a J&J corrija suas alegações. O mercado de medicamentos para câncer de próstata é um segmento multibilionário, com gastos que superaram US$ 16 bilhões no ano passado e projeções de alcançar mais de US$ 34 bilhões até 2030.
O Nubeqa, um medicamento mais recente no mercado, gerou mais de US$ 1,8 bilhão em vendas nos primeiros nove meses de 2025. Em contraste, o Erleada da Johnson & Johnson alcançou mais de US$ 2,6 bilhões no mesmo período. A Bayer argumenta que o sucesso do Nubeqa motivou a J&J a lançar uma “campanha publicitária falsa” contra o medicamento concorrente, caracterizando a propaganda enganosa Johnson & Johnson.
Alegações contestadas do Erleada e o impacto da propaganda enganosa
A principal contestação da Bayer reside na alegação da Johnson & Johnson de que usuários do Erleada apresentaram uma “redução de 51% no risco de morte” em comparação com pacientes do Nubeqa. A empresa alemã considera essa afirmação falsa e com potencial para “afetar as decisões de prescrição de médicos e pacientes, além de desgastar a confiança no produto Nubeqa da Bayer“. A Bayer também questionou os testes que embasaram as alegações sobre o Erleada, sugerindo que a J&J fez declarações falsas intencionalmente para prejudicar a demanda pelo Nubeqa, reforçando a acusação de propaganda enganosa Johnson & Johnson.
A Johnson & Johnson, por sua vez, defendeu a integridade de sua análise comparativa, afirmando que “mantém o rigor e a integridade de nossa análise comparativa direta em mundo real, que mostra uma redução de 51% no risco de morte” para os usuários do Erleada. A empresa concluiu que “Litígios não alteram dados”.
O câncer de próstata é uma das principais causas de morte entre homens nos Estados Unidos, com mais de 330 mil diagnósticos anuais e 35 mil óbitos a cada ano. O Nubeqa, desenvolvido pela Bayer e Orion Corp., foi lançado em 2019 e é aprovado para uso em conjunto com certas quimioterapias. O Erleada foi aprovado pelos reguladores dos EUA em 2018, sendo o primeiro medicamento de seu tipo no mercado.
Análise e implicações da propaganda enganosa para a Johnson & Johnson
A disputa entre Bayer e Johnson & Johnson reflete a intensa concorrência no mercado de medicamentos de alto valor, especialmente em áreas terapêuticas críticas como o câncer. A estratégia de marketing e comunicação no setor farmacêutico é rigorosamente regulamentada, e alegações de propaganda enganosa Johnson & Johnson podem ter sérias implicações legais e de reputação. Este processo destaca a importância da veracidade nas informações divulgadas sobre a eficácia e segurança de produtos, influenciando diretamente a decisão de prescrição médica e a confiança do paciente.
A batalha judicial pode redefinir os limites da comunicação comparativa entre concorrentes no setor farmacêutico. A decisão do tribunal terá um impacto significativo não apenas nas vendas do Erleada e Nubeqa, mas também poderá estabelecer precedentes para futuras campanhas publicitárias de medicamentos. A Bayer busca proteger sua participação de mercado e a credibilidade de seu produto, enquanto a Johnson & Johnson defende a validade de seus dados e a integridade de suas campanhas contra as acusações de propaganda enganosa Johnson & Johnson.

