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Redes Sociais

Vício em redes sociais leva Zuckerberg aos tribunais pela 1ª vez

Por Redação Portal Publicitário19/02/20267 Mins de Leitura
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O CEO da Meta depõe em Los Angeles sobre o impacto do Instagram na saúde mental de jovens, em um julgamento que pode redefinir a responsabilidade das big techs globalmente.

O vício em redes sociais está no centro do julgamento mais importante da história das plataformas digitais. Nesta quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026, em Los Angeles, Califórnia, Mark Zuckerberg voltou ao banco das testemunhas pelo segundo dia consecutivo para responder, sob juramento, se a Meta desenvolveu intencionalmente ferramentas capazes de viciar adolescentes em suas plataformas. O processo, movido por uma jovem californiana que alega ter sofrido graves danos à saúde mental, é considerado um caso-piloto para mais de mil ações judiciais similares nos Estados Unidos.

Vício em redes sociais: por que Zuckerberg está sendo julgado

A questão central do processo é direta e inédita nos tribunais americanos: as plataformas do Instagram e do Facebook foram projetadas com a intenção deliberada de criar vício em redes sociais em usuários jovens, mesmo que seus criadores soubessem dos danos que isso causaria?

A autora da ação, uma jovem californiana que prefere ter sua identidade preservada, afirma que começou a usar Instagram e YouTube ainda na infância. Segundo ela, os algoritmos dessas plataformas alimentaram progressivamente seu quadro de depressão, distorção de imagem corporal e pensamentos suicidas. A acusação argumenta que a Meta não apenas sabia desses efeitos, como possui documentos internos que provam que a empresa escolheu o crescimento de engajamento acima da segurança de crianças e adolescentes.

O que torna este julgamento historicamente relevante é o recorte jurídico adotado. Por décadas, a Seção 230 da legislação americana blindou as plataformas digitais de qualquer responsabilidade sobre o conteúdo publicado por usuários. A acusação, porém, não discute conteúdo. O foco está nas decisões de design e engenharia das plataformas: algoritmos de recomendação compulsiva, notificações programadas para criar dependência, sistemas de “scroll infinito” e métricas de curtidas, todos desenvolvidos, segundo a promotoria, para maximizar o tempo de tela e criar vício em redes sociais de forma sistemática.

⏱️ Timeline completa: do início ao segundo dia de depoimento

📅 Janeiro de 2026: o julgamento começa

O processo é aberto oficialmente em Los Angeles. O júri é selecionado e as partes apresentam suas teses iniciais. O advogado da autora, Mark Lanier, anuncia que usará documentos internos da própria Meta para provar que a empresa tinha consciência dos danos causados pelo vício em redes sociais entre adolescentes. A defesa sustenta que a Meta sempre atuou dentro da legalidade e nunca teve intenção de prejudicar seus usuários.

Antes mesmo do início do julgamento, Snap e TikTok, que também figuravam como rés no processo, chegaram a acordos extrajudiciais com a autora.

📅 18 de fevereiro de 2026: Zuckerberg entra no banco das testemunhas

Pela primeira vez na história, Mark Zuckerberg senta no banco das testemunhas. O advogado Lanier apresenta uma série de documentos internos que contradizem o discurso público da empresa sobre proteção de menores.

O documento mais impactante é uma apresentação interna do Instagram de 2018, com a seguinte afirmação: “Se quisermos ter grande sucesso com os adolescentes, precisamos conquistá-los na pré-adolescência.” Zuckerberg nega que o texto reflita uma estratégia oficial e acusa Lanier de “distorcer o contexto”.

Também é exibido ao júri um e-mail do então vice-presidente de assuntos globais da Meta, Nick Clegg, alertando diretamente Zuckerberg: “Temos limites de idade que não são aplicados (ou são inexequíveis?)”, e concluindo que as políticas inconsistentes entre Instagram e Facebook tornavam impossível argumentar que a empresa fazia tudo ao seu alcance para proteger crianças.

📅 19 de fevereiro de 2026 : segundo dia de depoimento

No segundo dia consecutivo no banco das testemunhas, Zuckerberg é confrontado com e-mails que ele mesmo escreveu entre 2014 e 2015, nos quais estabelecia metas internas para aumentar o tempo de uso do Instagram em dois dígitos percentuais. Os documentos contradizem diretamente o depoimento que ele deu ao Congresso americano em 2021, quando afirmou publicamente que o bem-estar dos usuários sempre foi a prioridade da Meta.

A acusação apresenta ainda um documento interno de 2022 que lista “marcos” do Instagram, incluindo o aumento do tempo médio diário de uso dos usuários: de 40 minutos em 2023 para 46 minutos em 2026. Zuckerberg classifica os números como uma “constatação” para o conselho de administração, não como metas formais. A acusação trata o documento como prova de que o vício em redes sociais estava sendo monitorado e incentivado de forma estruturada.

Pesquisas internas da Meta reveladas hoje em audiência mostram que adolescentes, especialmente meninas, relatavam sentir-se pior com seus corpos após usar o Instagram, e que esse grupo estava significativamente mais exposto a conteúdo relacionado a transtornos alimentares.

Em relação à receita, Zuckerberg afirma que adolescentes representam menos de 1% dos ganhos totais da empresa, argumento usado para tentar desassociar os interesses financeiros da Meta do engajamento desse público específico.

Do lado de fora do tribunal, o advogado Matthew Bergman, que representa pais cujos filhos morreram após desenvolverem vício em redes sociais, declara: “Simplesmente por termos alcançado esse marco, a Justiça foi feita.”

Os documentos que colocaram a Meta em xeque

Os registros internos apresentados ao júri são a peça central da acusação. Eles constroem uma narrativa de que a Meta tinha conhecimento pleno sobre os riscos do vício em redes sociais entre jovens e optou, repetidamente, por não agir com a urgência necessária.

Apresentação do Instagram (2018): estratégia explícita de capturar usuários na pré-adolescência para garantir fidelização a longo prazo.

E-mail de Nick Clegg: reconhecimento interno de que os limites de idade eram ineficazes e que as políticas eram inconsistentes entre as plataformas da Meta.

E-mails de Zuckerberg (2014-2015): metas de crescimento de engajamento que contradizem o discurso público sobre priorizar o bem-estar dos usuários.

Documento de marcos do Instagram (2022): aumento programado do tempo médio de uso como objetivo mensurável até 2026.

Pesquisas internas sobre imagem corporal: dados que mostram que a própria Meta sabia que adolescentes se sentiam pior após usar a plataforma, especialmente em relação à autoimagem.

O que está em jogo para as redes sociais no mundo inteiro

Um veredicto desfavorável à Meta neste processo teria impacto imediato e global. Ele abriria precedente jurídico para que as milhares de ações em tramitação nos EUA avancem com base mais sólida, obrigando empresas como Google, TikTok e Snap a revelar seus próprios documentos internos e, potencialmente, a reformular os algoritmos que sustentam seus modelos de negócio baseados em engajamento máximo.

O debate sobre o vício em redes sociais já produziu respostas legislativas em diferentes partes do mundo. A Austrália proibiu o acesso de menores de 16 anos às plataformas. A Flórida vetou o uso para menores de 14 anos, decisão que as associações do setor tecnológico contestam na Justiça. No Brasil, propostas de regulamentação avançam no Congresso Nacional com foco na proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

Organismos como a Organização Mundial da Saúde e o CDC americano já publicaram relatórios que associam o uso intenso de redes sociais a índices crescentes de ansiedade, depressão e comportamento suicida entre jovens, especialmente após a pandemia de Covid-19.

O depoimento de Zuckerberg ainda não terminou. O julgamento segue, os documentos continuam sendo revelados e o veredicto ainda está distante. Mas o fato de o CEO mais poderoso da tecnologia mundial estar sentado no banco das testemunhas, respondendo perguntas sobre o vício em redes sociais que teria destruído vidas, já marca uma virada sem precedentes na história das plataformas digitais.

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