Pepsi, Johnnie Walker e Captain Morgan deixaram o festival londrinoapós a escalação de Kanye West como headliner da edição de 2026.
O Wireless Festival 2026 foi cancelado depois que grandes patrocinadores romperam com o evento em reação à contratação de Kanye West, conhecido como Ye, como atração principal. A decisão dos anunciantes, combinada com o veto do governo britânico à entrada do rapper no país, tornou a realização do festival inviável. O evento estava marcado para os dias 10 a 12 de julho em Londres, na Inglaterra.

Patrocinadores retiram apoio após anúncio de Kanye West no line-up
A Pepsi, principal patrocinadora do Wireless Festival, foi a primeira a se afastar do evento após a divulgação de Ye como headliner. Na sequência, o grupo Diageo seguiu o mesmo caminho, retirando as marcas Johnnie Walker e Captain Morgan da lista de apoiadores.

A saída coordenada das marcas ocorreu em razão do histórico polêmico do rapper, que acumula declarações e ações classificadas como antissemitas ao longo dos últimos anos. Para empresas de grande visibilidade, manter o nome associado ao festival representava um risco reputacional considerável.
O movimento dos patrocinadores antecedeu até mesmo o veto governamental, sinalizando que o mercado corporativo reagiu de forma mais rápida e direta do que as próprias autoridades britânicas.
Governo britânico barra Kanye West e inviabiliza o festival
Com os patrocinadores já fora, o Ministério do Interior do Reino Unido revogou a Autorização Eletrônica de Viagem que permitiria a entrada de West no país. As autoridades concluíram que a presença do artista não seria benéfica para o bem público.
O site oficial do evento confirmou o encerramento em comunicado: “Em consequência da proibição de entrada da Ye no Reino Unido pelo Ministério do Interior, o Wireless Festival foi obrigado a ser cancelado.”
Melvin Benn, diretor administrativo da Festival Republic, uma das organizadoras do evento, defendeu a contratação argumentando que o festival não seria palco para declarações polêmicas, mas para a performance musical de um artista cujas músicas continuam presentes em rádios e plataformas digitais. O argumento, no entanto, não foi suficiente para reverter nem a decisão dos patrocinadores nem o posicionamento do governo.
O histórico que afastou marcas e autoridades
Nos últimos anos, Kanye West protagonizou uma série de episódios que resultaram no rompimento progressivo com parceiros comerciais. Em 2025, lançou a música “Heil Hitler”, banida das principais plataformas de streaming. No mesmo ano, o site da Yeezy, sua marca de roupas, colocou à venda peças estampadas com a suástica, símbolo associado ao nazismo, após uma campanha anunciada no Super Bowl.
Em 2026, o rapper publicou um pedido de desculpas em anúncio de página inteira no The Wall Street Journal, atribuindo seu comportamento ao transtorno bipolar. A iniciativa, porém, não foi suficiente para reconquistar a confiança de patrocinadores e autoridades.
O comunicado dos organizadores reconheceu a gravidade da situação: “O antissemitismo em todas as suas formas é abominável e reconhecemos o impacto real e pessoal que estas questões causaram.”
O que o caso revela sobre patrocínio cultural e risco de imagem
A debacle do Wireless Festival expõe uma transformação relevante no mercado de entretenimento e patrocínio. Marcas globais estão operando com critérios mais rígidos de avaliação de risco reputacional antes de associar seus nomes a eventos e artistas.
A velocidade com que Pepsi, Johnnie Walker e Captain Morgan deixaram o festival indica que os departamentos de marketing e jurídico das grandes corporações já possuem protocolos mais ágeis para esse tipo de situação. O silêncio de um patrocinador diante de uma controvérsia deixou de ser uma opção viável no ambiente de alta exposição das redes sociais.
Para o setor de festivais, o episódio reforça que a escolha de headliners vai muito além do apelo musical. A reputação do artista passou a ser um fator determinante na manutenção de contratos de patrocínio e, em casos extremos, na própria sobrevivência do evento.

