Raphael Sousa Oliveira é investigado em operação que apura suposta lavagem de dinheiro de mais de R$ 1,6 bilhão no Brasil.
Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, foi preso nesta quarta-feira (15) pela Polícia Federal em Goiânia. A detenção ocorre no âmbito da Operação Narco Fluxo, que investiga uma suposta organização criminosa acusada de movimentar ilegalmente mais de R$ 1,6 bilhão. Até o momento, as autoridades não esclareceram qual seria o envolvimento exato do influenciador no esquema investigado.
Por que o dono do Choquei foi preso? O que se sabe até agora
De acordo com a Polícia Federal, a Operação Narco Fluxo investiga uma suposta organização criminosa especializada em ocultar e dissimular recursos de origem ilícita. Segundo as autoridades, o esquema envolveria movimentações financeiras de alto volume, transporte de dinheiro em espécie e operações com criptoativos.
Raphael Sousa Oliveira foi preso sob um mandado de prisão temporária e também foi alvo de busca e apreensão. No entanto, a Polícia Federal ainda não divulgou publicamente qual seria o papel específico dele dentro da suposta estrutura criminosa investigada.

Seu advogado, Frederico Moreira, confirmou que o influenciador está sendo ouvido na sede da PF em Goiânia. A defesa informou que deve se pronunciar oficialmente ao longo do dia.
Segundo dados da Receita Federal, Raphael é sócio-administrador de duas empresas ligadas à página Choquei, ambas sediadas em Goiânia. A primeira teria sido constituída em 2019 e a segunda, em 2021. Não há, até o momento, qualquer informação oficial que aponte irregularidades diretas nessas empresas.
Quem mais foi preso na Operação Narco Fluxo?
Além do dono do Choquei, a operação resultou na detenção de outros nomes conhecidos do público. Confira os principais:
MC Ryan SP: O funkeiro foi preso e sua defesa informou que ainda não teve acesso ao procedimento, que tramita em sigilo. A equipe jurídica afirma que “todas as transações financeiras do artista possuem origem devidamente comprovada” e que os valores movimentados passam por “rigoroso controle e regular recolhimento de tributos”.
MC Poze do Rodo: O cantor, cujo nome de registro é Marlon Brandon, também foi detido. Sua defesa declarou que desconhece o teor do mandado de prisão e que, assim que tiver acesso às informações, tomará as medidas judiciais necessárias.
Chrys Dias: Influenciador digital com quase 15 milhões de seguidores, Chrys também figura entre os presos. Até o fechamento desta matéria, sua defesa não havia sido localizada pela reportagem.

Outros produtores de conteúdo não identificados também teriam sido detidos no decorrer da operação, segundo informações preliminares da PF.
O que foi encontrado nas buscas e apreensões
A Operação Narco Fluxo mobilizou mais de 200 agentes da Polícia Federal em nove estados e no Distrito Federal, cumprindo 45 mandados de busca e apreensão e 39 mandados de prisão temporária. As ações ocorreram simultaneamente em São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná, Goiás e Brasília.
Durante as buscas, foram apreendidos veículos, quantias em dinheiro vivo, documentos e dispositivos eletrônicos. Em um dos endereços revistados, agentes encontraram armas e um colar com a imagem do narcotraficante colombiano Pablo Escobar dentro de um mapa do estado de São Paulo.

Os investigados podem responder, caso as acusações se confirmem, pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
O que ainda não se sabe sobre o caso
É importante destacar que vários pontos centrais do caso seguem sem esclarecimento oficial até o momento:
Não foi confirmado publicamente qual é o papel exato de Raphael Sousa Oliveira dentro da suposta organização criminosa. Não há informação oficial sobre se a página Choquei ou suas empresas seriam instrumentos do esquema investigado. As defesas de MC Ryan SP e MC Poze do Rodo negam qualquer irregularidade financeira. Todos os presos têm direito à ampla defesa e são considerados inocentes até que eventual condenação seja proferida pela Justiça.
A investigação segue em andamento e novas informações devem ser divulgadas pelas autoridades ao longo do dia.
Influenciadores digitais e investigações financeiras: o contexto do caso
A Operação Narco Fluxo chama atenção por reunir, entre os investigados, figuras com audiências expressivas nas redes sociais. O caso reacende o debate sobre a fiscalização do fluxo financeiro dentro da chamada economia criativa, um setor que movimenta bilhões de reais anualmente no Brasil por meio de publicidade, contratos comerciais e plataformas digitais.
Segundo a PF, a suposta organização criminosa teria desenvolvido um sistema sofisticado para dissimular a origem dos recursos, explorando diferentes camadas do sistema financeiro. O volume investigado, R$ 1,6 bilhão, coloca este caso entre os maiores já relacionados a figuras públicas do entretenimento nacional. O andamento das investigações será determinante para esclarecer o real envolvimento de cada um dos detidos.

