O McDonald’s estuda novas opções de menu voltadas a consumidores que usam medicamentos emagrecedores, apontando uma mudança estratégica no setor de fast food.
O McDonald’s confirmou, em teleconferência de resultados financeiros, que está testando itens de cardápio voltados para consumidores que utilizam medicamentos análogos do GLP-1, como Ozempic, Wegovy e Mounjaro. O anúncio foi feito pelo CEO Chris Kempczinski e reforça uma tendência que vem ganhando força no setor de alimentação fora do lar: adaptar portfólios inteiros à nova realidade dos usuários de canetas emagrecedoras.

McDonald’s e o comportamento dos usuários de Ozempic e Mounjaro
O movimento do McDonald’s não é uma resposta isolada. A crescente adoção de medicamentos GLP-1 tem transformado o padrão de consumo alimentar em escala global, e as redes de fast food estão sentindo esse impacto diretamente nas suas vendas.
Kempczinski foi direto ao ponto durante a teleconferência: “À medida que a adoção aumenta, sabemos que o comportamento do consumidor muda.” O executivo destacou que os clientes que fazem uso dessas medicações demonstram maior interesse em produtos com alto teor proteico e tendem a reduzir o consumo de carboidratos refinados e bebidas açucaradas.

A vice-presidente Jill McDonald entrou na conversa para reforçar que a rede já conta com opções compatíveis com esse perfil. Ela citou produtos como o Snack Wrap, o sanduíche de tortilla com linguiça e as tiras de frango McCrispy como exemplos que já atendem, em parte, às necessidades nutricionais desse público.
A leitura da companhia é clara: quem usa Ozempic ou Mounjaro come menos, escolhe com mais critério e prioriza proteína. E o McDonald’s quer estar dentro dessa equação.
Novas opções especuladas por especialistas
Embora o CEO não tenha revelado detalhes sobre os produtos em teste, especialistas do setor alimentício já arriscam previsões sobre o que pode surgir no cardápio.
Mike Haracz, ex-chef corporativo do McDonald’s nos Estados Unidos, afirmou que os consumidores devem notar uma reformulação com “menos carboidratos e mais proteínas, com destaque para as gorduras”. Segundo ele, essa composição nutricional é exatamente o que incentiva a intenção de compra entre os usuários de GLP-1.
A nutricionista Amy Goodson, da região de Dallas-Fort Worth, foi além e especulou sobre formatos concretos. Entre as possibilidades que ela aponta estão:
- Tiras ou nuggets de frango grelhado, com mais proteína e menos gordura saturada
- Tortilhas de couve-flor em substituição às de trigo ou milho, reduzindo o índice glicêmico
- Hambúrgueres menores com folha de alface no lugar do pão, modelo já adotado por concorrentes como o Shake Shack

A lógica por trás dessas escolhas é respaldada pela medicina. Profissionais de saúde recomendam que pacientes em uso de Ozempic, Mounjaro e similares priorizem o consumo de proteína para evitar a perda de massa muscular, efeito colateral comum quando a ingestão calórica cai de forma abrupta.
O impacto do Ozempic e do Mounjaro no mercado de fast food
O movimento do McDonald’s revela muito mais do que uma simples atualização de cardápio. Ele expõe uma transformação estrutural em curso no mercado de alimentação rápida, que por décadas foi construído sobre a lógica do volume, da conveniência e do sabor intenso.
Com a expansão dos medicamentos GLP-1 pelo mundo, um número crescente de consumidores passou a comer menos, sente saciedade mais rápido e busca qualidade nutricional em vez de quantidade. Esse perfil de cliente não abandona o fast food, mas exige que o fast food se adapte a ele.
Redes que ignorarem essa tendência correm o risco de perder relevância entre um segmento de consumidores que cresce ano a ano. A consultoria Morgan Stanley projetou, em análises recentes, que o mercado global de medicamentos GLP-1 pode movimentar centenas de bilhões de dólares até o final da década, o que implica um volume imenso de usuários com novos hábitos alimentares.
O McDonald’s, ao trazer o tema para dentro de uma teleconferência de resultados, envia um sinal claro ao mercado: a rede está monitorando esse fenômeno de perto e pretende se posicionar estrategicamente antes que a demanda se consolide de vez. A expectativa é que detalhes sobre os novos produtos sejam divulgados ao longo de 2026, à medida que os testes avancem nas unidades selecionadas.

