Montadora chinesa quer associar sua marca ao estádio mais icônico de São Paulo em um acordo que pode valer dezenas de milhões de reais.
Os naming rights do Morumbi estão no centro de uma das negociações mais comentadas do esporte brasileiro em 2026. A BYD, líder global na fabricação de veículos elétricos, sinalizou interesse concreto em batizar o estádio tricolor com seu nome, criando o que seria chamado de MorumBYD. A proposta chegou ao São Paulo Futebol Clube ainda no fim do ano passado, durante os momentos finais da administração de Julio Casares, e ganhou força suficiente para entrar na pauta da nova diretoria do clube.
Naming rights do Morumbi: como a BYD chegou até o São Paulo
A aproximação entre a montadora e o clube paulista não nasceu em uma sala de reuniões. A conversa tomou forma em um almoço entre Julio Casares, então presidente do São Paulo, e Alexandre Baldy, vice-presidente da BYD no Brasil. Os dois mantêm uma relação próxima há anos, e foi nesse encontro informal, realizado pouco antes da saída de Casares do cargo, que a ideia começou a ganhar contornos reais.
A proposta tem um diferencial criativo difícil de ignorar. O nome MorumBYD preserva a sonoridade do histórico “Morumbi” e, ao mesmo tempo, entrega à marca chinesa uma presença fonética imediata no cotidiano de milhões de torcedores. Em termos de retorno de imagem, esse tipo de fusão entre patrimônio esportivo e identidade corporativa raramente aparece de forma tão natural.
A BYD chegou ao estádio em um momento oportuno. Com o contrato atual de nomenclatura se aproximando do fim e as conversas de renovação praticamente paralisadas, o clube paulista está aberto a novas propostas para um dos ativos comerciais mais valiosos de seu portfólio.
O fim do ciclo Mondelez e a janela que se abriu
Desde o final de 2023, o estádio responde ao nome de Morumbis, resultado de um acordo firmado com a Mondelez, grupo alimentício responsável por marcas como Lacta. O contrato, com vigência até o fim de 2026, foi estimado em aproximadamente R$ 75 milhões no total, cerca de R$ 25 milhões por temporada.
Apesar dos números relevantes, a parceria perdeu fôlego antes do prazo. A renovação esbarrou em um cenário desfavorável para a empresa no mercado global.
A disparada no preço do cacau nos mercados internacionais pressionou as finanças da Mondelez, reduzindo o apetite da companhia por compromissos de grande porte em patrocínios esportivos.
A ascensão das casas de apostas no futebol brasileiro também mudou o tabuleiro. Empresas do setor passaram a ocupar com agressividade os espaços mais visíveis do esporte nacional, tornando o ambiente mais competitivo e, para marcas do consumo tradicional, menos atrativo financeiramente.
O resultado prático foi o congelamento das negociações entre clube e patrocinador, abrindo exatamente a janela que a BYD precisava para entrar na disputa.
Por que a BYD quer seu nome em um estádio de futebol
O interesse nos naming rights do Morumbi não é um movimento isolado. Ele faz parte de uma estratégia mais ampla da montadora para consolidar sua marca junto ao consumidor brasileiro, em um país onde a empresa já conta com planta industrial própria e registra crescimento consistente nas vendas.
Patrocinar o nome de um estádio oferece algo que poucos formatos publicitários conseguem entregar: presença constante e orgânica. Toda transmissão de jogo, toda matéria jornalística, toda menção nas redes sociais carrega automaticamente o nome do patrocinador. Durante meses seguidos, semana após semana, sem custo adicional por exibição.
O Morumbi reforça ainda mais esse valor. Com capacidade para mais de 60 mil pessoas e décadas de história no futebol e na cultura paulistana, o estádio é um dos endereços mais reconhecidos do país, muito além das quatro linhas.
Com a chegada de uma nova gestão ao clube após a turbulenta saída de Casares, a definição sobre os naming rights do Morumbi passa a ser uma das decisões comerciais mais urgentes do São Paulo em 2026. A proposta da BYD está sobre a mesa. O trocadilho, aparentemente, também.

