Conpresp dá sinal verde para a iniciativa que transformará o centro da capital com painéis de LED e restauro de patrimônio histórico.
O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) aprovou, em reunião na última segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026, o projeto que visa criar a Times Square de São Paulo. A iniciativa, denominada Eixo São João – Boulevard São Paulo, prevê a instalação de painéis de LED e a revitalização de áreas históricas no centro da capital, com foco nas avenidas Ipiranga e São João e no Largo do Paissandu. A Prefeitura de São Paulo informou que as obras para a instalação dos painéis devem começar já em março e ter duração estimada de três a quatro meses.

Times Square de São Paulo avança com apoio da iniciativa privada
A proposta da Times Square de São Paulo será financiada pela iniciativa privada, por meio de um termo de cooperação, e contempla a instalação e gestão de painéis de LED em pontos estratégicos da Avenida São João (números 596, 794 e 808) e na região do Largo do Paissandu, por um período de 15 anos. A previsão de início das obras em março de 2026 e a duração de três a quatro meses indicam que a nova paisagem visual do centro poderá ser vista ainda no primeiro semestre do ano.

Apesar da aprovação do Conpresp, o projeto ainda necessita da avaliação da Comissão de Proteção à Paisagem Urbana (CPPU) para sua efetivação. A Prefeitura destaca que a iniciativa integra um plano mais amplo de revitalização do entorno do Largo do Paissandu, que incluirá intervenções urbanas, restauro de monumentos e ativação de espaços socioculturais.
Revitalização e Lei Cidade Limpa em debate
A implementação da Times Square de São Paulo gerou discussões, especialmente em relação à Lei Cidade Limpa, que desde 2007 regula a publicidade em ambientes públicos na capital paulista. Críticos argumentam que a proposta poderia ferir os princípios da lei, criada para combater a poluição visual. A Prefeitura, por sua vez, reconhece os benefícios da Lei Cidade Limpa, mas sinaliza a possibilidade de modernização, desde que seus princípios e avanços sejam preservados.
Em contrapartida à instalação dos painéis, o Conpresp exigiu intervenções em bens tombados na região. Entre as demandas, está o restauro integral das fachadas da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. O projeto também deve contemplar a restauração e conservação da área do Largo do Paissandu, além da instalação de novo mobiliário urbano, melhoria da acessibilidade e valorização do eixo histórico. Houve também um pedido de esclarecimento sobre os processos administrativos para cada intervenção em bens protegidos.
Análise e Implicações no cenário urbano e publicitário
A aprovação do projeto da Times Square de São Paulo e o anúncio do início das obras em março representam um marco significativo para o centro da capital, com potencial para redefinir a paisagem urbana e o mercado publicitário Out-of-Home (OOH). A iniciativa, embora ainda envolta em algumas incertezas sobre a ausência de publicidade direta nos painéis e as contrapartidas aos patrocinadores, sinaliza uma tendência de revitalização de áreas históricas através de parcerias público-privadas. A discussão sobre a Lei Cidade Limpa e sua possível flexibilização demonstra a busca por um equilíbrio entre a modernização da comunicação urbana e a preservação da identidade visual da cidade.
Entidades do setor, como a Associação Brasileira de Out-of-Home (Abooh) e a Central de Outdoor, expressaram a necessidade de um debate público amplo e embasado tecnicamente. Elas defendem que a mídia OOH pode ser um vetor de regeneração econômica e social, desde que integrada a um planejamento urbano responsável. A Times Square de São Paulo pode, assim, se tornar um case de como a tecnologia e a publicidade podem coexistir com o patrimônio histórico, impulsionando o desenvolvimento e o engajamento na região central da cidade.
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