A Anthropic adotará marcas d’água imperceptíveis em textos do Claude e metadados assinados em arquivos para permitir a identificação de conteúdo processado por IA.
Claude terá marca invisível incorporada diretamente aos textos gerados por modelos compatíveis. A identificação não aparece visualmente para quem lê, mas poderá ser reconhecida por sistemas capazes de detectar a marca. O recurso também acompanhará conteúdos copiados e colados em outras plataformas.
A mudança será aplicada globalmente nos produtos compatíveis da Anthropic. A empresa também pretende identificar arquivos produzidos pelo Claude, incluindo imagens, por meio de metadados digitais. A implementação ocorre após compromissos assumidos pela companhia dentro das regras de transparência do AI Act da União Europeia.
Marca invisível do Claude acompanha textos copiados
A principal novidade está nos conteúdos escritos. Em vez de adicionar um aviso visível informando que determinada resposta foi criada por inteligência artificial, o Claude incorporará uma marca d’água diretamente ao texto. Segundo a Anthropic, ela não altera o significado, a qualidade ou a legibilidade da resposta.
Como a identificação faz parte da geração do texto, a marca invisível do Claude poderá continuar presente quando o usuário copiar uma resposta e colá-la em outro aplicativo. Algumas modificações posteriores também podem preservar o sinal, embora a empresa reconheça limitações na tecnologia.
A marcação será implementada no próprio modelo, e não apenas na interface do chatbot. Isso permite que a identificação apareça em textos produzidos por diferentes serviços que utilizam modelos compatíveis da Anthropic.
A nova identificação funcionará em diferentes situações:
- Textos terão uma marca d’água invisível incorporada à geração.
- A marca poderá permanecer após copiar e colar o conteúdo.
- Algumas edições simples podem preservar a identificação.
- Arquivos compatíveis terão metadados assinados digitalmente.
- A Anthropic desenvolverá mecanismos para detectar suas próprias marcas.
Claude Code e API também entram na mudança
A identificação não ficará limitada às conversas realizadas diretamente pelo site ou aplicativo do Claude. A Anthropic informa que a marcação abrangerá modelos compatíveis utilizados no Claude, Claude Platform, Claude Code, Claude Cowork e Claude Tag.
O mesmo mecanismo de texto será aplicado quando modelos compatíveis forem acessados por parceiros de computação em nuvem, como AWS, Google Cloud e Microsoft Foundry. Alguns tipos de identificação de arquivos, entretanto, podem variar dependendo dos recursos disponíveis em cada plataforma.
A Forbes informou ainda que usuários não terão uma opção para simplesmente desativar a nova política de marcação. A decisão contribuiu para críticas de pessoas que utilizam o Claude em atividades como revisão de textos próprios e programação.
Parte da reação está relacionada ao fato de que um texto pode receber uma marca mesmo quando a inteligência artificial não foi responsável por sua criação original. Um usuário pode escrever um material integralmente e depois solicitar apenas uma revisão gramatical ao Claude.
Revisões humanas também podem receber a marca
A própria Anthropic reconhece que encontrar uma marca invisível do Claude não significa necessariamente que a IA escreveu todo o material. O modelo também pode ser usado para revisar, resumir, traduzir ou converter um conteúdo produzido originalmente por uma pessoa.
Nesse cenário, a versão processada pelo Claude poderá carregar a identificação mesmo quando ideias, informações e partes do texto vieram de outra fonte. Por isso, a empresa afirma que a detecção da marca deve ser interpretada como um sinal de que o conteúdo passou pelo Claude, e não como uma prova definitiva de autoria.
A Forbes registrou críticas de usuários que utilizam a ferramenta principalmente como assistente de revisão. Desenvolvedores também levantaram dúvidas sobre a aplicação do mecanismo aos códigos produzidos ou modificados por ferramentas como o Claude Code.
A identificação também não funcionará como um detector universal de inteligência artificial. Um conteúdo sem a marca não poderá ser automaticamente classificado como humano, já que diferentes ferramentas de IA utilizam métodos distintos de identificação.
Imagens do Claude terão metadados assinados
Para arquivos, a Anthropic adotará um sistema diferente. Quando o Claude gerar formatos compatíveis, como SVG, PNG e JPG, o arquivo poderá receber metadados digitais assinados seguindo o padrão aberto C2PA, utilizado para registrar informações sobre a procedência de conteúdos digitais.
Esses dados podem indicar que determinado arquivo foi processado pelo Claude e permitir a verificação de alterações posteriores. A marcação de arquivos funciona separadamente da marca incorporada diretamente aos textos.
Os metadados também possuem limitações. Eles podem desaparecer quando uma imagem passa por determinadas conversões, é salva novamente por algum programa ou vira uma captura de tela. A própria Anthropic cita essas situações ao explicar que a ausência da identificação não comprova que um conteúdo nunca tenha passado pelo Claude.
Da mesma forma, textos muito curtos podem não oferecer sinal suficiente para uma detecção confiável. Edições extensas, paráfrases, traduções ou a combinação do conteúdo com outros textos também podem dificultar a identificação da marca.
Marca invisível do Claude será aplicada globalmente
A mudança está relacionada ao Código de Prática sobre Transparência de Conteúdo Gerado por IA ligado ao Artigo 50(2) do AI Act europeu. A Anthropic aderiu ao código como fornecedora de modelos e sistemas de inteligência artificial generativa.
Modelos Claude lançados na União Europeia a partir de 2 de agosto de 2026 devem oferecer suporte à marcação legível por máquinas desde o lançamento. A Anthropic também trabalha para incorporar o recurso aos modelos anteriores dentro do período de transição previsto pelas regras.
Apesar da origem regulatória europeia, a empresa decidiu aplicar a tecnologia nos mercados onde os modelos compatíveis estiverem disponíveis. Dessa forma, a marca invisível do Claude não ficará restrita aos usuários localizados na União Europeia.
A Anthropic ainda prepara ferramentas para permitir que usuários e terceiros identifiquem as marcas presentes em textos e arquivos. A documentação técnica completa sobre a detecção ainda será divulgada. Mesmo quando disponível, a identificação indicará que o conteúdo pode ter sido processado pelo Claude, sem determinar sozinha sua autoria completa.

