Marca americana de itens infantis acumula críticas nas redes sociais após usuários resgatarem embalagens e campanhas com linguagem sugestiva considerada inapropriada.
A Fridababy está no centro de uma polêmica que se espalhou rapidamente pelo TikTok, X e Facebook depois que capturas de tela de embalagens e publicações antigas da marca voltaram a circular online. O conteúdo, com frases de duplo sentido sexual associadas a produtos voltados para bebês e mães, gerou indignação generalizada e pedidos de boicote à empresa, fundada em 2014 pela CEO Chelsea Hirschhorn.

Fridababy e as frases que provocaram a crise nas redes
A controvérsia tomou força quando usuários identificaram textos como “Que tal uma rapidinha?”, estampado na embalagem de um termômetro 3 em 1, e “Eu me excito facilmente”, nas instruções de um umidificador da marca. Uma publicação antiga do Instagram, datada de abril de 2020 e já removida, mostrava a foto de um bebê com secreção nasal acompanhada de uma legenda com referência sexual explícita.

Outra publicação que circulou amplamente mostrava a promoção de um termômetro com a frase: “Isso é o mais perto que seu marido vai chegar de uma suruba”. Legendas antigas do Instagram dos anos de 2020 e 2021 teriam incluído ainda termos como “sexo a três” e referências a lubrificantes.
A indignação não ficou restrita a pequenos grupos. Uma publicação no Facebook que reunia parte desse material acumulou mais de 89.000 curtidas e 4 milhões de visualizações, tornando-se um dos epicentros do debate. “Piadas sexuais para comercializar produtos para bebês é realmente doentio e perverso”, escreveu o autor da postagem.
sexual jokes to market baby products is actually sick and twisted @fridababy this is absolutely appalling and disgusting pic.twitter.com/cXhiksoaY8
— stace 🩵🪲 (@staystaystace) February 12, 2026
A escalada da crise e a resposta da marca
Com o aumento da repercussão negativa, usuários das redes sociais foram além das críticas ao conteúdo e passaram a identificar membros da equipe da Fridababy listados no site oficial da empresa. Nomes como o diretor de embalagens Brian Byrd, o vice-presidente de estratégia de marketing Adam Gagliardo e o gerente de produção de design Aaron Camello foram amplamente divulgados. Pouco depois, a página da equipe teria sido removida do site.


Relatos de usuários também indicam que comentários negativos estavam sendo deletados das redes sociais da marca, o que intensificou ainda mais a desconfiança do público.
Mais recentemente, a Fridababy publicou um carrossel no Instagram dedicado ao tema da amamentação. O conteúdo, que incluía imagens de mulheres em close durante a amamentação e extração de leite, afirmava que “seios, todo mundo adora vê-los” e que deveriam ser “celebrados por cumprirem sua função”. Embora a mensagem central defendesse a normalização da amamentação em público, o tom e as imagens dividiram opiniões nos comentários.
“Ei, então por que vocês sexualizam seus produtos?”, questionou uma usuária nos comentários da publicação. Outros disseram que planejavam devolver produtos, remover itens da Frida de listas de presentes para bebês ou boicotar a marca definitivamente.
O impacto da polêmica no posicionamento da Fridababy
A crise da Fridababy expõe um dilema recorrente no marketing de marcas voltadas para a maternidade e infância: a tentativa de se diferenciar com humor ousado pode colidir diretamente com os valores do público-alvo, composto majoritariamente por pais e mães em busca de segurança e confiança.
A empresa construiu sua reputação sobre um discurso de autenticidade e proximidade com a realidade dos pais, algo que o próprio site reforça ao descrever sua missão como “preparar pais para as realidades não filtradas da parentalidade”. A linguagem irreverente fazia parte dessa identidade de marca. No entanto, quando esse posicionamento extrapola para conteúdos percebidos como inadequados para o contexto de produtos infantis, a reação do consumidor pode ser rápida e severa.
O caso ilustra como materiais de marketing antigos, mesmo quando já removidos das plataformas originais, continuam vulneráveis ao resgate e à viralizarão em um ambiente digital com memória longa. Para marcas do setor infantil, a Fridababy torna-se um exemplo de como a fronteira entre o humor e a inadequação é especialmente estreita, e as consequências de ultrapassá-la podem se manifestar anos depois do conteúdo ter sido publicado.

