O processo foi protocolado na Justiça de São Paulo após a varejista registrar prejuízo de R$ 10,1 bilhões no trimestre.
O pedido de recuperação judicial Casas Bahia foi oficializado com um passivo declarado de R$ 17,3 bilhões. A holding protocolou a documentação na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A medida visa manter as operações comerciais ativas enquanto o grupo corporativo reorganiza sua estrutura de capital.
Prejuízo recorde e impacto no balanço
A decisão ocorre logo após o Grupo Casas Bahia reportar um prejuízo líquido de R$ 10,1 bilhões no segundo trimestre. O resultado financeiro negativo é 18 vezes superior à perda de R$ 555 milhões apurada no mesmo período do ano anterior. No acumulado do primeiro semestre, a empresa amarga um balanço negativo consolidado de R$ 11,18 bilhões.
O rombo financeiro trimestral foi agravado pelo reconhecimento de R$ 9,1 bilhões em eventos contábeis não recorrentes. A auditoria da Ernst & Young absteve-se de emitir uma conclusão final sobre as demonstrações financeiras recentes. O órgão avaliador citou a existência de incerteza relevante quanto à capacidade de continuidade operacional da varejista.
O montante atípico inclui a baixa contábil de R$ 5,7 bilhões em créditos tributários diferidos do caixa corporativo. A companhia também efetuou o lançamento de R$ 1,8 bilhão em novas provisões contratuais. Além disso, a gestão financeira registrou perdas de R$ 971 milhões referentes à reavaliação dos ativos intangíveis.
- A maior parte do passivo em renegociação refere-se exclusivamente a débitos com credores financeiros.
- A companhia efetuou o fechamento físico de 298 lojas deficitárias espalhadas pelo território nacional.
- O plano interno de reestruturação causou a demissão de aproximadamente 3 mil funcionários administrativos e de loja.
- A holding reverteu o patrimônio líquido da operação comercial para um saldo negativo de R$ 8,27 bilhões.
Negociação de financiamento e desbloqueio
Com a entrada oficial na Justiça, a varejista iniciou negociações para obter um aporte de financiamento emergencial. As tratativas envolvem o Bradesco e o Banco do Brasil na busca por um montante de R$ 1 bilhão. O crédito extra possui prioridade legal de pagamento sobre as outras dívidas em andamento.
A injeção de capital novo será destinada diretamente à recomposição dos estoques de mercadorias no curto prazo. A estratégia de captação provisória visa sustentar o fluxo de vendas diárias nas unidades comerciais que permaneceram abertas. Atualmente, o grupo de varejo emprega 20 mil profissionais e mantém uma base de 105 milhões de consumidores.
O trâmite judicial também viabiliza o caminho legal para a companhia tentar destravar recursos retidos pelo sistema público. O plano busca liberar cerca de R$ 2 bilhões bloqueados em depósitos de litígios jurídicos contingenciados. Metade desse valor bilionário refere-se à área trabalhista, e o montante restante concentra-se em antigas disputas fiscais.
Desdobramentos da recuperação anterior
Em 2024, a holding varejista já havia utilizado o recurso jurídico de uma recuperação extrajudicial com seus credores. A medida serviu especificamente para alongar o prazo de vencimento de R$ 4,1 bilhões devidos aos grandes bancos. O modelo solucionou a pressão de caixa imediata, mas não conseguiu reduzir os altos custos financeiros atrelados aos juros.
Na frente tributária, a empresa informou um desembolso contábil anual que oscila entre R$ 1,5 bilhão e R$ 2 bilhões. A direção corporativa pretende utilizar mecanismos oficiais de transação com a Receita para alongar e repactuar os pagamentos. Somadas, todas as frentes estruturais de negociação procuram recompor a liquidez necessária para a operação básica seguir funcionando.
A não concretização de captações internacionais recentes reduziu drasticamente as alternativas primárias de financiamento da companhia varejista. A administração oficializou o cenário de piora contínua do balanço culpando o ambiente persistente de juros muito elevados. A diretoria afirmou nos comunicados oficiais que a restrição bancária de crédito e o endividamento familiar sufocaram as receitas.
Subsidiárias incluídas no processo judicial
O pedido formal protocolado abrange a marca principal e mais nove empresas satélites controladas pelo grupo econômico. A lista de subsidiárias incluídas na proteção judicial protetiva conta com as empresas transportadoras ASAP Log e Cntlog Express. A fornecedora Indústria de Móveis Bartira e a operadora Cnova Comércio Eletrônico também integram as páginas do documento oficial.
As empresas corporativas Integra Soluções e CNT Soluções em Negócios Digitais complementam o escopo da ampla reestruturação societária. Finalizam a relação oficial a Globex Administração e o braço de inteligência tecnológica direta da própria companhia paulista. A aprovação da inclusão de todas essas frentes ocorreu após votação presencial do Conselho de Administração.
Com valor de mercado registrado em queda aguda na Bolsa, a holding busca blindar o conglomerado contra execuções imediatas. O deferimento do processamento da recuperação pela vara competente garante um período de suspensão das obrigações e penhoras bancárias. A pausa temporária concedida permite a manutenção dos ativos comerciais essenciais enquanto o plano de saneamento avança.







