Modelo PJ ganhou espaço principalmente entre profissionais plenos e sêniores e atrai, em média, mais candidatos que vagas CLT.
A pejotização na comunicação passou a representar 60% das vagas anunciadas no setor, após responder por 49% em 2021. O movimento aparece em oportunidades de agências, produtoras, estúdios e departamentos de marketing, segundo levantamento da plataforma trampos.
O estudo analisou 36.597 vagas publicadas ao longo de cinco anos. Além do avanço no número de oportunidades PJ, esse modelo recebeu, em média, 64% mais candidatos que as posições oferecidas pelo regime CLT.
Pejotização na comunicação cresce entre sêniores
A participação das vagas PJ avançou de forma contínua durante o período analisado. O modelo representava 49% das oportunidades em 2021, passou para 55% em 2023 e atingiu 60% em 2025, sem registrar reversão na série apresentada pela trampos.
A pejotização na comunicação fica ainda mais concentrada conforme aumenta a senioridade. Entre as vagas para profissionais sêniores, 73% são PJ. A participação é de 65% entre profissionais plenos e cai para 40% nas oportunidades de nível júnior.
Os principais números do levantamento:
- 60% das vagas de comunicação analisadas são PJ.
- 73% das oportunidades sêniores utilizam contratação PJ.
- Profissionais plenos têm 65% das vagas no modelo PJ.
- Vagas júnior ainda têm 60% de participação CLT.
- Vagas PJ recebem, em média, 64% mais candidatos.
A diferença entre os extremos da carreira chega a 33 pontos percentuais. O maior salto ocorre entre os níveis júnior e pleno, quando a participação do modelo PJ cresce 25 pontos percentuais, indicando uma mudança no padrão de contratação conforme o profissional avança na carreira.
Marketing e design ficam abaixo da média do PJ
O crescimento do modelo não acontece da mesma maneira em todas as funções. Apesar da vantagem média de 64% no volume de candidatos às vagas PJ, alguns dos principais núcleos da comunicação registram diferenças bem menores entre os dois regimes.
Em design, vagas PJ atraem 13% mais candidatos. Em marketing, a diferença é de 12%. Já as áreas administrativo e financeiro registram vantagem de 68%, enquanto tecnologia aparece com 66%, segundo os dados divulgados no levantamento.
O comportamento muda completamente em mídia. Nesse segmento, as oportunidades CLT atraem 14% mais candidatos que as vagas PJ. Foi o único recorte apresentado pela pesquisa em que a carteira assinada superou o modelo de prestação de serviços na capacidade de atrair interessados.
Os números mostram que a pejotização na comunicação não ocorre de forma uniforme entre as diferentes especialidades. A escolha do regime adotado pelas empresas também encontra respostas distintas entre profissionais de mídia, criação, tecnologia, marketing e áreas administrativas.
Remuneração e flexibilidade ampliam busca por PJ
O levantamento também relaciona a procura por vagas PJ à remuneração bruta anunciada e ao formato de trabalho oferecido. Em tecnologia, por exemplo, oportunidades PJ apresentam remuneração bruta média 73% superior à encontrada em posições CLT da mesma área.
A comparação considera valores brutos. A própria trampos ressalta que a diferença não representa necessariamente o mesmo ganho líquido para o profissional, porque trabalhadores PJ precisam assumir diretamente despesas, impostos e outros custos que possuem estrutura diferente daquela encontrada no vínculo empregatício.
A flexibilidade também aparece entre as diferenças encontradas. Apenas 38% das vagas PJ são presenciais, enquanto o percentual chega a 69% entre as oportunidades CLT. Dessa forma, 62% das posições PJ analisadas oferecem algum formato de trabalho flexível.
A combinação ajuda a explicar parte da diferença no número de candidaturas. Uma oportunidade PJ pode reunir simultaneamente remuneração bruta maior e possibilidade de trabalho remoto ou híbrido, fatores que interferem na comparação direta entre o interesse despertado por cada regime.
Pejotização na comunicação não elimina vagas CLT
Apesar da expansão da pejotização na comunicação, a carteira assinada continua presente principalmente na entrada da carreira. Profissionais júnior são o único grupo de senioridade no qual o CLT mantém participação majoritária, com 60% das oportunidades analisadas.
Fora do setor específico de comunicação, o cenário do mercado formal brasileiro também permanece diferente. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística citados no levantamento indicavam que 73,4% dos empregados do setor privado estavam sob regime CLT no fim de 2024.
Para Tiago Yonamine, CEO da trampos, o formato de contratação passou a integrar a própria estratégia de atração de candidatos. A pesquisa aponta que empresas encontram comportamentos diferentes dependendo da senioridade, da função, da remuneração e da flexibilidade oferecida pela vaga.
A pejotização na comunicação chega, portanto, a seis de cada dez vagas analisadas pela plataforma, mas mantém diferenças relevantes dentro do próprio setor. Profissionais sêniores concentram a maior participação PJ, enquanto juniores e trabalhadores da área de mídia ainda apresentam maior presença ou interesse por oportunidades CLT.

