O vídeo de Chris Kempczinski provando o novo sanduíche acumulou mais de 3 milhões de visualizações e gerou uma enxurrada de comentários irônicos nas redes sociais.
CEO do McDonald’s, Chris Kempczinski, viralizou nas redes sociais após publicar um vídeo em que experimenta o novo sanduíche da rede, o The Big Arch, lançado oficialmente nos Estados Unidos nesta terça-feira, 3 de março de 2026. O conteúdo, postado no Instagram pessoal do executivo em 3 de fevereiro, acumulou mais de 3 milhões de visualizações e tomou rumos bem diferentes do que a empresa esperava, tornando-se alvo de piadas e comentários irônicos sobre a autenticidade da ação.
CEO do McDonald’s e o vídeo que saiu do controle
A intenção de Kempczinski era simples: usar sua presença digital para promover o The Big Arch, nova aposta do McDonald’s para o mercado norte-americano. O sanduíche já havia passado por testes em países como Portugal, Alemanha e Canadá antes de chegar oficialmente às lojas dos Estados Unidos.

O lanche é composto por duas carnes, três fatias de queijo branco, um novo molho especial, cebola, picles e alface. No papel, parece uma aposta sólida para competir no disputado segmento de hambúrgueres premium das redes de fast-food.
O problema não foi o produto. Foi a reação do público ao assistir ao CEO morder o próprio sanduíche.

A postura de Kempczinski no vídeo, considerada pouco espontânea por grande parte dos usuários, rapidamente se tornou combustível para memes e comentários que questionavam se o executivo realmente come no McDonald’s no dia a dia. “Ele não come no McDonald’s”, tornou-se uma das frases mais repetidas nos comentários da publicação.
As críticas que foram além da mordida
As zoações não pararam na expressão facial do executivo. Muitos usuários também ficaram incomodados com a forma como Kempczinski se referiu ao próprio lanche durante o vídeo, chamando o hambúrguer de “produto” em vez de usar termos mais próximos e entusiasmados.

Para uma parcela significativa do público, a palavra escolhida soou fria e distante, reforçando a percepção de que o vídeo era uma ação corporativa disfarçada de conteúdo espontâneo. Nos comentários, frases como “nem o nome do lanche ele quis falar” e “produto é o que a empresa vende, não o que você ama comer” resumiram bem o sentimento de parte dos espectadores.
O episódio escancarou um problema recorrente quando executivos tentam humanizar sua imagem nas redes sociais sem abrir mão da linguagem corporativa. A tentativa de parecer autêntico enquanto se mantém dentro de um roteiro institucional costuma gerar exatamente o efeito oposto ao desejado.
[[McDonald’s Big Arch sandwich new menu United States 2026]]
The Big Arch chega aos EUA em meio à repercussão viral
Apesar da ironia que tomou conta das redes, o lançamento do The Big Arch segue como planejado. O sanduíche passou por um ciclo de testes internacionais relativamente longo antes de estrear no mercado norte-americano, o que indica uma estratégia cautelosa da rede para validar a aceitação do produto antes de uma expansão maior.
O McDonald’s vem enfrentando um cenário de pressão nos últimos anos, com consumidores cada vez mais sensíveis a preços e exigentes quanto à qualidade percebida nos produtos de fast-food. O lançamento de um item premium como o Big Arch se encaixa em um movimento mais amplo da rede para reposicionar parte do cardápio e atrair um público disposto a pagar um pouco mais.
O The Big Arch posiciona o McDonald’s diretamente contra concorrentes como Shake Shack e Smashburger, que conquistaram espaço justamente ao oferecer hambúrgueres com ingredientes diferenciados e apelo de qualidade superior.
A presença ativa de CEOs nas redes sociais é uma tendência crescente no ambiente corporativo, mas também expõe as lideranças a um nível de escrutínio público que pode transformar ações de marketing em crises de imagem rapidamente.
Com mais de 3 milhões de visualizações, o vídeo de Kempczinski gerou mais alcance do que a maioria das campanhas pagas, ainda que por razões não planejadas.
O impacto do viral para a marca McDonald’s
Do ponto de vista de marketing, o episódio levanta questões relevantes sobre autenticidade e comunicação executiva. Consumidores modernos tendem a detectar rapidamente quando uma ação parece forçada ou ensaiada, e a resposta nas redes sociais ao vídeo de Kempczinski é um exemplo claro desse fenômeno.
A ironia dos comentários não necessariamente representa um dano irreversível à imagem do McDonald’s. Marcas consolidadas costumam absorver esse tipo de repercussão sem grandes consequências nas vendas. O que o episódio revela, no entanto, é o quanto o consumidor atual está atento à consistência entre discurso e comportamento das lideranças corporativas.
Até onde um CEO deve ir nas redes sociais?
O caso de Kempczinski reacende um debate que cresce junto com a cultura dos criadores de conteúdo: até que ponto faz sentido para um CEO aparecer nas redes sociais tentando se parecer com um usuário comum?
Executivos como Elon Musk e Richard Branson construíram personas digitais fortes justamente porque suas aparições nas redes refletem, ao menos em aparência, quem eles são fora do escritório. O público aceita bem um CEO que parece genuíno, opiniático e até imperfeito. O que rejeita é a encenação.
O problema não é o CEO aparecer. O problema é aparecer de forma ensaiada demais, com linguagem corporativa e sem qualquer traço de personalidade real. Quando isso acontece, o tiro sai pela culatra. O vídeo deixa de ser comunicação e vira material para memes.
Há também uma questão de posicionamento. Um CEO comendo o próprio produto pode funcionar muito bem para marcas menores, onde o fundador ainda é o rosto da empresa e carrega credibilidade emocional com o público. Para uma corporação do porte do McDonald’s, com milhares de funcionários e décadas de história, a equação é diferente. O executivo representa uma instituição, não apenas uma marca, e qualquer deslize na comunicação é amplificado proporcionalmente.
O equilíbrio ideal, segundo especialistas em comunicação corporativa, está em aparecer com propósito claro, sem tentar forçar uma proximidade que não existe naturalmente. Falar sobre decisões estratégicas, bastidores relevantes ou posicionamentos institucionais tende a gerar mais respeito do que vídeos de degustação que o público rapidamente percebe como roteirizados.
Para o CEO do McDonald’s, o episódio serve como lição valiosa: nas redes sociais, autenticidade não se planeja em reunião. Ela aparece, ou não aparece, e o público nota a diferença em segundos.

