Promotoria acusa empresa de criar “produtos perigosos” e ignorar alertas internos de segurança.
A Meta e seu CEO, Mark Zuckerberg, iniciam a semana no centro de um furacão jurídico nos EUA, enfrentando dois julgamentos que atacam o coração de seu modelo de negócios. As acusações são graves e diretas: a empresa é processada por desenhar intencionalmente plataformas viciantes e por negligenciar meio milhão de tentativas de exploração sexual infantil que ocorrem diariamente em suas redes.
O motivo: Segurança ignorada por lucro
No Novo México, o Procurador-Geral Raul Torrez expõe o primeiro grande motivo do julgamento: a omissão deliberada. Segundo a acusação, o Instagram se tornou um “terreno fértil” para predadores sexuais. A promotoria alega que os executivos da Meta não apenas sabiam que suas plataformas facilitavam o contato entre criminosos e crianças, mas mentiram ao público sobre a segurança do ambiente digital.
E-mails internos anexados ao processo trazem a confissão chocante de Malia Andrus, ex-cientista da empresa. Os documentos revelam que a Meta tinha ciência de cerca de 500 mil casos de exploração por dia apenas em mercados de língua inglesa. O motivo da ação judicial é claro: responsabilizar a empresa por “conduta enganosa” e por manter um produto que coloca crianças em risco globalmente em favor do crescimento da base de usuários.
O motivo: Design feito para viciar
Simultaneamente, em Los Angeles, o segundo julgamento ataca a engenharia do produto. A acusação, liderada por uma vítima identificada como “KGM”, sustenta que a Meta e o Google (via YouTube) desenharam seus apps para criar dependência química no cérebro de jovens. O processo argumenta que recursos como a “rolagem infinita” e filtros de alteração facial não são funcionalidades neutras, mas ferramentas de manipulação psicológica.
A defesa das big techs tenta alegar que problemas familiares são a causa da crise de saúde mental adolescente. Contudo, relatórios da Academia Americana de Pediatria reforçam a tese da acusação: o design comercial focado em engajamento a qualquer custo amplifica perigos que os pais não conseguem mitigar sozinhos. O tribunal deve decidir se a Meta é culpada por priorizar a retenção de atenção em detrimento da saúde mental de seus usuários mais vulneráveis.
- 500.000 tentativas de exploração diária foram identificadas internamente, mas ignoradas pela estratégia de crescimento.
- 1.500 processos aguardam o veredito deste caso “pioneiro” para avançar contra as gigantes de tecnologia.
- Seção 230 é a lei que está em jogo; sua derrubada significaria que as plataformas passam a responder legalmente pelo design de seus produtos.
A estratégia por trás do litígio
O mercado observa estes julgamentos não apenas como disputas legais, mas como o fim da “imunidade algorítmica”. A acusação foca no design do produto e não no conteúdo postado, uma manobra jurídica inteligente para contornar as proteções tradicionais da internet. Se a Meta for condenada pelos motivos de seu design (vício e facilitação de crime), ela será forçada a investir bilhões em reformulação de produto, impactando diretamente suas métricas de tempo de tela e receita publicitária. O cerco regulatório, somado à pressão de 15 governos europeus e à proibição australiana, indica que o modelo de “atenção irrestrita” se tornou um passivo tóxico.

