CEO da Meta prevê que dispositivos com IA assumirão gradualmente tarefas hoje realizadas pelos smartphones.
Os óculos inteligentes Meta poderão reduzir a dependência dos celulares durante a próxima década. Segundo Mark Zuckerberg, o aparelho deve concentrar mensagens, câmeras, inteligência artificial e informações exibidas diretamente no campo de visão.
Óculos inteligentes Meta ampliam funções digitais
A previsão de Mark Zuckerberg não indica o desaparecimento imediato dos smartphones. O executivo espera uma transição gradual, na qual as pessoas realizarão mais tarefas pelos óculos enquanto mantêm o celular guardado ou disponível para atividades específicas.
Essa estratégia avançou com o lançamento dos Meta Ray-Ban Display, modelo que incorpora uma tela colorida em uma das lentes. O equipamento permite visualizar mensagens, acompanhar instruções, consultar informações e interagir com a inteligência artificial sem retirar o smartphone do bolso.
Principais recursos apresentados pela Meta:
- Exibição de mensagens do WhatsApp, Messenger e Instagram.
- Chamadas de vídeo com compartilhamento da visão do usuário.
- Câmera integrada para registrar fotos e vídeos.
- Tradução, navegação e respostas fornecidas pela Meta AI.
- Controle por gestos usando uma pulseira neural.
- Preço inicial de US$ 799 nos Estados Unidos.
A tela dos óculos inteligentes Meta foi desenvolvida para interações rápidas. Ela não ocupa todo o campo de visão e pode ser desligada quando não está sendo usada, preservando a aparência convencional do acessório.
O produto também inclui alto-falantes, microfones e câmera. Essa combinação permite ouvir músicas, atender chamadas e pedir informações à Meta AI usando comandos de voz.
Meta Ray-Ban Display custam US$ 799
Os Meta Ray-Ban Display chegaram inicialmente ao mercado norte-americano por US$ 799. O valor inclui os óculos e a Meta Neural Band, pulseira responsável por interpretar pequenos movimentos musculares do usuário.
A pulseira utiliza eletromiografia para reconhecer sinais enviados aos músculos da mão. Dessa forma, movimentos discretos dos dedos podem selecionar opções, controlar interfaces e responder às mensagens apresentadas na lente.
O conjunto permite abrir notificações, visualizar imagens e acessar orientações de navegação. A pessoa também pode iniciar chamadas de vídeo pelo WhatsApp e Messenger, mostrando ao contato aquilo que está vendo pela câmera dos óculos.
A Meta apresentou ainda o recurso de escrita neural. A função reconhece o movimento do dedo sobre uma superfície e converte o gesto em texto, reduzindo a necessidade de utilizar um teclado físico ou tocar na tela do celular.
Diferentemente de um headset de realidade virtual, os óculos inteligentes Meta mantêm o usuário em contato com o ambiente. O visor acrescenta elementos digitais à visão sem substituir completamente o espaço físico por uma imagem virtual.
A empresa já utiliza seus dispositivos em campanhas e ações de divulgação. Durante o Super Bowl, os óculos da Oakley com Meta AI apareceram em comerciais voltados aos recursos de gravação, previsão do tempo e interação por voz.
Inteligência artificial acompanha o ambiente
A inteligência artificial ocupa uma parte central do projeto. Como os óculos ficam posicionados diante dos olhos, as câmeras e os microfones conseguem receber informações sobre objetos, lugares, conversas e situações próximas ao usuário.
Com autorização e comandos específicos, a Meta AI pode interpretar o cenário captado pela câmera e responder perguntas sobre aquilo que está sendo observado. O sistema também pode traduzir placas, identificar elementos e fornecer orientações em tempo real.
Zuckerberg relaciona essa capacidade ao conceito de “superinteligência pessoal”. A proposta envolve um assistente de IA capaz de compreender o contexto individual e oferecer respostas sem exigir que a pessoa digite uma pergunta ou pesquise manualmente.
Os óculos inteligentes Meta também podem funcionar como ponto de acesso aos serviços controlados pela companhia. Isso inclui WhatsApp, Instagram, Messenger e a própria Meta AI, diminuindo a frequência com que o usuário precisa abrir esses aplicativos no smartphone.
A integração entre hardware e plataformas digitais representa uma tentativa da Meta de construir uma nova categoria de computação pessoal. Atualmente, Apple e Google controlam os principais sistemas operacionais móveis, enquanto fabricantes como Samsung e Xiaomi dominam parte relevante do mercado de aparelhos.
Ao desenvolver os próprios dispositivos, a Meta busca estabelecer uma interface direta entre seus serviços e os usuários. A empresa trabalha com a EssilorLuxottica, proprietária da Ray-Ban e da Oakley, para combinar os componentes eletrônicos com formatos tradicionais de óculos.
Óculos inteligentes Meta ainda dependem do celular
Apesar do avanço dos dispositivos, os óculos inteligentes Meta ainda não reproduzem todas as funções de um smartphone. Algumas operações continuam dependendo de conexão com outros aparelhos, redes móveis ou serviços complementares.
Atividades que exigem telas maiores, longos períodos de digitação, aplicativos especializados ou elevado processamento permanecem mais adequadas aos celulares e computadores. A própria previsão de Zuckerberg considera uma redução no uso do smartphone, e não sua eliminação imediata.
Bateria, peso, aquecimento, conforto e tamanho dos componentes também limitam o desenvolvimento. Quanto mais recursos são incorporados, maior é a necessidade de energia e de espaço na armação.
Outra questão envolve o uso de câmeras e microfones em ambientes públicos. Os dispositivos possuem indicadores visuais para informar quando estão gravando, mas continuam levantando discussões sobre consentimento, coleta de dados e privacidade de terceiros.
Uma investigação sobre vídeos capturados pelos óculos Meta Ray-Ban mostrou que o tratamento das imagens também pode envolver análise humana em determinadas situações. A Meta afirma que o processamento das mídias segue seus termos de serviço e suas políticas de privacidade.
Mesmo com essas limitações, a companhia continua ampliando a linha. Além dos Meta Ray-Ban Display, o portfólio inclui modelos sem tela, versões voltadas aos esportes e opções desenvolvidas para diferentes tipos de lentes.
A previsão é que os óculos assumam primeiro tarefas rápidas, como fotografar, consultar mensagens, receber direções e conversar com assistentes digitais. O celular permaneceria disponível para funções que exigem uma tela física ou controles mais complexos.
Nesse cenário, os óculos inteligentes Meta não substituiriam os smartphones de uma única vez. Eles reduziriam progressivamente a necessidade de retirar o aparelho do bolso, repetindo uma transição semelhante à ocorrida entre computadores e celulares.










