A asa de morcego ficou tão marcante que o pano branco da FIFA não conseguiu esconder nada
A Levi’s transformou uma exigência da FIFA em uma das ações de marketing mais comentadas da Copa do Mundo FIFA 2026. A marca teve seu logo coberto por um tecido branco no estádio da Baía de São Francisco, mas o contorno da peça acompanhou perfeitamente o formato da “asa de morcego”, tornando o logotipo tão reconhecível quanto antes e provando, na prática, o poder de um bom branding.
FIFA exige cobertura de marcas não patrocinadoras nos estádios
A política da FIFA chamada “Clean Site” determina que todos os estádios da Copa do Mundo de 2026 removam ou cubram marcas comerciais que não sejam patrocinadoras oficiais do torneio. Por isso, o Levi’s Stadium, em Santa Clara, passou a ser chamado oficialmente de San Francisco Bay Area Stadium durante a competição.
A medida vale para qualquer estádio com naming rights de marcas fora do grupo de patrocinadores oficiais. Outros exemplos da mesma regra incluem:
- MetLife Stadium, renomeado para New York New Jersey Stadium
- SoFi Stadium, renomeado para Los Angeles Stadium
- Sinalizações da Bud Light e do San Francisco 49ers, também cobertas ou removidas dentro do estádio
No caso da Levi’s, mesmo sendo detentora dos direitos de naming do estádio desde 2013, a marca precisou cobrir seu logo com tecido branco para o jogo entre Suíça e Catar, primeira partida da Copa no local.
Levi’s transforma censura em campanha viral
Em vez de ignorar a situação, a Levi’s decidiu brincar com ela. No mesmo domingo, a marca publicou em suas redes sociais um vídeo mostrando imagens do logo coberto pelo tecido branco, com a legenda “Welcoming the world to the beautiful [redacted] stadium!”, algo como “Dando as boas-vindas ao mundo no lindo estádio [censurado]!”.
A ação foi além do vídeo principal:
- A trilha usada foi um áudio viral do criador de conteúdo do TikTok conhecido como Father Mary
- A Levi’s trocou sua foto de perfil no Instagram por uma versão do próprio logo coberta pelo mesmo tecido branco
- A peça se conectou à campanha “Behind Every Original”, já associada à identidade da marca
O resultado foi imediato: o reels publicado pela marca passou de 420 mil curtidas em apenas 15 horas, segundo dados internacionais, e os comentários se multiplicaram com elogios à criatividade da equipe de marketing.
O que esse case ensina sobre o poder do branding
O caso da Levi’s é um exemplo direto de como uma identidade visual consistente sobrevive até mesmo a uma tentativa literal de censura. No estádio, o tecido branco não foi colocado como um simples retângulo sobre o nome. Ele acompanhou o desenho da “asa de morcego”, elemento gráfico associado à Levi’s há décadas, mesmo sem a presença do nome, da cor vermelha ou de qualquer texto.

Esse é o tipo de situação que comprova, na prática, o que muitas marcas levam anos para alcançar: quando um símbolo se torna tão reconhecível que continua comunicando a marca mesmo escondido, o branding deixa de depender do logotipo escrito e passa a viver na forma, na silhueta, na memória visual do público.
Para o mercado publicitário, o episódio também tem um efeito colateral interessante. Especialistas já apontam que o caso pode levar a FIFA a revisar, a partir de 2030, a forma como cobre logotipos de estádios em futuras edições da Copa do Mundo, já que a tentativa de ocultar a marca terminou dando ainda mais visibilidade a ela.

