Primeira mudança de identidade visual do aplicativo em quase uma década é assinada pela agência Porto Rocha.
O rebranding do Tinder, o primeiro em quase uma década, foi desenvolvido pela agência Porto Rocha e apresentado nesta semana. O projeto troca o logotipo minúsculo por uma versão em caixa alta, introduz uma nova fonte serifada e cria uma voz de marca inspirada em colunistas de relacionamento. O objetivo declarado é reconquistar a geração Z, em especial as mulheres dessa faixa etária.

Rebranding do Tinder muda logotipo, chama e cores
A transformação mais visível está no wordmark. A marca abandonou a grafia em letras minúsculas sem serifa, usada desde os primeiros anos, e adotou a versão TINDER em caixa alta. Segundo o designer sênior Yedo Han, da Porto Rocha, a mudança traz mais confiança e presença para a marca.
A chama, símbolo mais reconhecível do aplicativo, também passou por revisão. O ícone ganhou formas mais elegantes e cantos mais afiados em relação à versão anterior. A ideia foi preservar o patrimônio visual da marca, considerada icônica pela equipe, sem abrir mão de um visual renovado.
As principais mudanças do novo sistema de identidade incluem:
- Wordmark em caixa alta, substituindo a grafia minúscula usada por anos
- Nova tipografia serifada para títulos, descrita como ousada e declarativa
- Chama redesenhada, com traço mais fino e cantos mais definidos
- Paleta que mantém o espectro de vermelho, laranja e rosa, agora equilibrado com tons de azul e verde
- Sistema visual que mistura capturas de anime, pinturas a óleo e memes

Para Han, a serifa dos títulos compensa o peso da caixa alta e adiciona ousadia, confiança e um toque de irreverência. Ele afirma que o conjunto soa mais declarativo sobre o que o Tinder é hoje: uma força que retoma a cena dos aplicativos de namoro.
Voz de colunista e o fim do “felizes para sempre”
O rebranding do Tinder vai além do design. Boa parte do projeto se concentrou em linguagem e tom de voz. A referência criativa foi a figura da colunista de relacionamentos. Um integrante da equipe descreveu o resultado como “e se a geração Z tivesse uma Carrie Bradshaw”: uma voz ousada e espirituosa, mas calorosa.
Um dos movimentos centrais foi subverter clichês românticos. Expressões como “encontrar a pessoa certa” e “felizes para sempre” foram substituídas pelo conceito de “happily TBD”, algo como “felizes, a definir”. A estratégia e direção de texto do projeto ficou a cargo de Natalee Ranii-Dropcho, da Porto Rocha.
Segundo Ranii-Dropcho, a lógica dos contos de fada e da maioria dos aplicativos coloca o amor como final obrigatório da história. A nova marca quer celebrar todas as formas de conexão possíveis, sem descartar quem busca um relacionamento sério.


A equipe chama essa abordagem de design para a contradição. O sistema rejeita alguns clichês na linguagem, mas abraça ícones tradicionais do amor, como flecha de cupido, corações e rosas, quando o produto precisa ser literal e compreensível. A tensão entre ironia e sinceridade é proposital.
Estratégia mira a geração Z e acompanha novos recursos
Lançado em 2012, o Tinder foi um dos primeiros aplicativos de namoro do mundo. Desde então, a categoria se multiplicou e os hábitos de quem usa esses serviços mudaram. Para a Porto Rocha, a marca é “o desafiante original” da categoria e carrega forte capital visual, reconhecível e ousado.
O desafio foi atualizar esse patrimônio para uma nova geração. A meta era tornar a identidade surpreendente para o público jovem sem perder a essência da marca. A resposta passou por posicionar o aplicativo como uma forma divertida e leve de conhecer pessoas, distante da pressão por finais românticos definitivos.
O rebranding também acompanha uma ofensiva de produto. No último ano, o Tinder lançou recursos como Double Date, IRL Events, Music Mode e Astrology Mode, pensados para formas mais fluidas de conexão. Com a nova identidade, o visual do aplicativo se alinha a essa fase.
O trabalho envolveu a equipe interna de design do Tinder, liderada por Chamal Samaranayake, em parceria com a Porto Rocha. A agência, com escritórios em Nova York e Londres, foi fundada pelos brasileiros Leo Porto e Felipe Rocha e assina projetos para marcas como Nike e instituições como o MASP.
O rebranding do Tinder já circula nas redes sociais e gerou repercussão imediata entre designers. A comparação entre o logotipo antigo e o novo se espalhou em publicações no X um dia após a divulgação do projeto. A marca ainda não detalhou o cronograma completo de implementação da nova identidade no aplicativo.

