A confederação aciona o aplicativo de mobilidade após ação publicitária usar nomes parecidos com o do atacante durante a Copa do Mundo 2026.
CBF notifica 99 após o aplicativo veicular campanha com nomes semelhantes ao do atacante Endrick. A ação oferecia cupons a clientes atendidos por entregadores ou motoristas homônimos do jogador durante partida da Copa do Mundo 2026. A confederação alega violação de direitos e marketing de emboscada, e a empresa já retirou os anúncios do ar.

Como funcionava a campanha da 99
A campanha foi veiculada nesta sexta-feira, 19 de junho, durante a partida da Seleção Brasileira contra o Haiti. A peça brincava com a expectativa pela entrada de Endrick em campo, o que de fato aconteceu.
A 99 prometia R$ 99 em cupons a consumidores das categorias de mobilidade, 99Entrega e 99Food. O benefício valia para quem fosse atendido por parceiros chamados Endrik, Hendrick, Endrique ou Hendrique.

A mecânica usava a sonoridade do nome do jogador para engajar usuários no clima da Copa do Mundo, sem citar diretamente a Confederação Brasileira de Futebol.
- Clientes de mobilidade, 99Entrega e 99Food participavam da promoção
- Parceiros chamados Endrik, Hendrick, Endrique ou Hendrique geravam o benefício
- Consumidores atendidos por esses nomes recebiam R$ 99 em cupons
- A peça aproveitava a expectativa pela entrada de Endrick contra o Haiti
- A 99 retirou a campanha do app e das redes após a notificação
Alegações da CBF contra a 99
Em documento obtido pelo Meio & Mensagem, a CBF afirma que a publicidade usa direitos de personalidade do atleta convocado para a Seleção Brasileira. A confederação cita ainda elementos visuais, cromáticos e comunicacionais que remetem à Seleção e à própria CBF.
Segundo a notificação, esses elementos são protegidos por normas de propriedade intelectual registradas no Instituto Nacional da Propriedade Industrial.
A CBF nega ter autorizado a 99 a usar esses elementos. A confederação acusa a empresa de concorrência desleal, violação de direitos, marketing de emboscada, associação parasitária e conduta ilícita.
A entidade afirma que a campanha causa prejuízos diretos à CBF e aos seus patrocinadores oficiais. Segundo o documento, a ação também deu à 99 uma vantagem competitiva indevida em período crítico da Copa do Mundo 2026.
Um dos patrocinadores oficiais da CBF é a Uber, concorrente direta da 99 no setor de mobilidade urbana.
Exigências da notificação
A notificação pede que a 99 cesse a utilização ou reprodução de qualquer ativo intelectual da CBF. O documento também exige a retirada total dos anúncios de circulação.
A confederação solicita ainda que a empresa se abstenha de novas campanhas com associações indevidas à Seleção Brasileira. A 99 deve apresentar manifestação formal após o recebimento da notificação.
O descumprimento das medidas pode levar o caso a níveis judiciais, segundo a CBF. Procurada pela reportagem do Meio & Mensagem, a 99 não retornou os pedidos de posicionamento.
Marketing de emboscada é o termo usado para campanhas que associam uma marca a um evento sem pagar pelos direitos oficiais de patrocínio. A prática é comum em grandes competições esportivas e costuma gerar disputas jurídicas entre marcas e organizadores.
Durante mundiais anteriores, confederações e comitês organizadores já notificaram empresas por uso não autorizado de símbolos, mascotes e nomes de jogadores. O objetivo dessas notificações é proteger contratos firmados com patrocinadores oficiais.
Direitos sobre marcas e símbolos da CBF
O documento da CBF detalha quem pode comercializar ativos ligados à Seleção Brasileira. Apenas a confederação tem direito a explorar marcas, símbolos, brasões e uniformes associados pelo público à entidade.
A lista de ativos protegidos inclui também combinações de cores e elementos visuais característicos das equipes nacionais. Qualquer uso comercial ou promocional desses sinais depende de autorização prévia.
Essa autorização deve vir diretamente da CBF ou de patrocinadores, licenciados e parceiros oficiais da confederação. CBF notifica 99 justamente por não ter seguido esse procedimento antes de veicular a campanha.
No caso da Copa do Mundo 2026, a CBF mantém acordos com marcas que pagam para associar seus produtos à Seleção Brasileira. Ações como a da 99 são vistas pela confederação como ameaça a esses contratos.
Outras empresas têm criado campanhas ligadas ao torneio sem citar diretamente jogadores, escudos ou cores associadas à CBF. Essa é a forma considerada legal de aproveitar o clima da competição sem necessidade de autorização prévia.
A notificação enviada à 99 também reforça que o uso de nomes semelhantes a atletas convocados pode configurar violação de direitos de imagem. Isso vale mesmo sem citação explícita ao jogador ou à confederação.

