Startup Operation Bluebird lança rede social inspirada no antigo Twitter enquanto disputa nome, termo “tweet” e logotipo com a X.
Rede Twitter.now foi lançada pela startup norte-americana Operation Bluebird como uma plataforma independente da X. O serviço recupera elementos visuais do antigo Twitter, inclui publicações curtas, respostas e republicações, mas enfrenta uma disputa judicial pelo direito de usar a marca.
Rede Twitter.now estreia com acesso antecipado
A rede Twitter.now iniciou sua operação com um grupo reduzido de usuários e acesso antecipado pago. A plataforma pertence à Operation Bluebird, empresa sediada no estado norte-americano da Virgínia e sem vínculo societário com a X Corp. ou com Elon Musk.
O serviço utiliza o nome Twitter, referências ao pássaro azul e uma interface próxima do formato conhecido antes da mudança para X. A estrutura reúne perfil, linha do tempo, respostas e republicações. Os termos de uso identificam oficialmente o produto como um serviço fornecido pela Operation Bluebird.
O acesso antecipado foi oferecido por US$ 20 para participantes classificados como fundadores. Outra modalidade de US$ 40 inclui apoio à disputa judicial contra a X. Os valores também permitem reservar nomes de usuário antes de uma eventual abertura ampla da plataforma.
Os principais elementos apresentados pela startup são:
Rede Twitter.now recupera nome e identidade visual do Twitter.
Plataforma oferece publicações, respostas e republicações.
Acesso antecipado foi vendido por US$ 20.
Plano de US$ 40 apoia a disputa judicial.
Serviço declara não possuir vínculo com a X Corp.
A plataforma ainda opera em fase inicial e reunia centenas de usuários após o lançamento, conforme a Ars Technica. A página principal também apresentou um aviso de manutenção durante a verificação, sem indicação de encerramento permanente do serviço.
Rede Twitter.now aposta em checagem por IA
A Operation Bluebird afirma que o projeto não pretende reproduzir integralmente a antiga plataforma. A empresa apresenta o serviço como uma rede baseada em transparência, controle do usuário e regras iguais para contas comuns, personalidades públicas e anunciantes.
Uma das ferramentas anunciadas é a Vera, sistema automatizado de verificação baseado no Gemini. O recurso analisa as publicações e apresenta informações sobre a confiabilidade do conteúdo. A startup descreve a tecnologia como um mecanismo de análise em tempo real aplicado aos textos publicados.
O sistema foi demonstrado com afirmações factualmente incorretas para testar a identificação de erros. A proposta permite que o usuário ajuste quanto conteúdo classificado como confiável ou de baixa confiança aparecerá em sua linha do tempo. Os critérios completos usados nessas classificações ainda não foram divulgados.
A empresa resume sua política com o princípio de liberdade de expressão sem garantia automática de alcance. Na prática, a plataforma pretende permitir publicações dentro das regras, mas poderá limitar a distribuição de conteúdo considerado falso, manipulado ou prejudicial.
As políticas anunciadas proíbem material ilegal, exploração infantil, ameaças de violência, assédio e fraudes. Os termos também autorizam a empresa a remover conteúdos, restringir publicações e suspender contas. As regras detalhadas deverão ser consolidadas em diretrizes comunitárias e em um documento chamado Constituição Birdhouse.
A Operation Bluebird sustenta que os usuários devem controlar a composição da própria linha do tempo. A empresa também promete reduzir a influência de bots e impedir que sistemas de recomendação priorizem automaticamente publicações enganosas apenas por apresentarem alto potencial de engajamento.
X disputa marca Twitter com Operation Bluebird
O lançamento ocorre enquanto a X Corp. tenta impedir judicialmente o uso do nome Twitter, do termo “tweet” e do pássaro azul. A empresa de Elon Musk processou a Operation Bluebird em um tribunal federal de Delaware por suposta violação de marcas e direitos autorais.

A ação foi registrada em 2025 e inclui um pedido para impedir o funcionamento da nova plataforma com a identidade reivindicada. A X afirma que continua proprietária dos ativos relacionados ao Twitter e que a utilização deles por outra empresa pode provocar confusão entre os usuários.
A Operation Bluebird apresenta uma interpretação diferente. A startup argumenta que a X abandonou as antigas marcas após trocar o nome da rede social, substituir o logotipo e adotar uma nova identidade corporativa. Com essa justificativa, pediu o cancelamento dos registros controlados pela X e solicitou novas marcas para o próprio serviço.
O domínio original twitter.com ainda direciona os visitantes para a plataforma X. A companhia também mantém referências aos termos Twitter e tweet em documentos e políticas. Esses elementos fazem parte dos argumentos usados para sustentar que a propriedade intelectual não foi abandonada.
Em uma audiência realizada em 2026, o juiz federal Colm Connolly apresentou uma avaliação preliminar favorável a parte da tese da startup. Ele indicou que a X poderia ter abandonado direitos relacionados ao termo “tweet” e ao pássaro azul, além de mencionar possível discussão sobre o próprio nome Twitter.
A manifestação foi preliminar e não corresponde a uma sentença definitiva. O juiz ainda não havia publicado uma decisão escrita sobre o pedido de liminar apresentado pela X. O processo continua registrado como uma disputa por violação de marca no Tribunal Distrital dos Estados Unidos em Delaware.
Processo definirá futuro da rede Twitter.now
O processo determinará se a Operation Bluebird poderá continuar usando os elementos que identificaram o Twitter antes da mudança promovida por Elon Musk. Uma decisão favorável à X pode obrigar a startup a alterar nome, logotipo, domínio e termos utilizados dentro da plataforma.
Caso a tese de abandono seja aceita, a startup poderá avançar com os pedidos de registro. A decisão também poderá estabelecer parâmetros sobre o uso de marcas retiradas de circulação por empresas que mantêm serviços relacionados sob uma nova identidade.
Os termos da plataforma informam que o serviço é independente e não possui associação com a X. A empresa também identifica a Operation Bluebird como responsável pelo site, aplicativo, interfaces de programação e demais produtos oferecidos aos usuários.
O cofundador Stephen Coates, que trabalhou com propriedade intelectual e marcas no antigo Twitter, participa da estratégia jurídica e operacional do projeto. Ele afirma que a empresa possui investidores e um produto funcional, embora o número inicial de usuários permaneça distante da escala alcançada pelo Twitter original.
A rede Twitter.now segue disponível como projeto em fase inicial, sujeita a mudanças técnicas e ao resultado do processo. A disputa judicial ainda não definiu quem poderá usar comercialmente a marca Twitter, o pássaro azul e o termo “tweet” nos Estados Unidos.










