Assistente virtual ganha nova identidade visual e recursos avançados de inteligência artificial por US$ 19,99 mensais, gratuita para assinantes Prime.
A Amazon apresentou nesta quarta-feira (26) a Alexa+, versão reformulada de sua assistente virtual com nova identidade visual e inteligência artificial generativa. A mudança no logo acompanha uma transformação profunda no produto: recursos avançados como análise de tom de voz, conversas mais naturais e planejamento de compromissos agora custam US$ 19,99 por mês, embora sejam gratuitos para assinantes Prime.



Nova marca para uma nova era da Alexa
Durante evento para a imprensa em Nova York, a Amazon detalhou não apenas a evolução tecnológica, mas também o reposicionamento visual de sua assistente digital de 10 anos. A mudança no logo simboliza a transição do serviço gratuito para um modelo premium, marcando uma nova fase estratégica para o produto.

Panos Panay, vice-presidente de dispositivos e serviços da Amazon, destacou funcionalidades que vão além das tarefas básicas. A nova assistente pode criar planos de estudo, enviar mensagens para babás, chamar Uber para amigos e até memorizar receitas manuscritas ou e-mails compartilhados.
“Eu não sou apenas uma assistente, sou sua nova melhor amiga no mundo digital”, declarou a Alexa+ durante demonstração no palco.

Do gratuito ao premium: a estratégia por trás da mudança
Diferente do modelo anterior, oferecido gratuitamente em qualquer dispositivo compatível, a Alexa+ será um serviço pago. A empresa, no entanto, mantém a versão original gratuita com o logo tradicional para quem preferir não migrar para o novo modelo.

A Alexa+ utiliza grandes modelos de linguagem desenvolvidos tanto pela Amazon quanto pela Anthropic, startup de IA na qual a gigante de Seattle investiu bilhões. O sistema possui um modelo agnóstico, permitindo selecionar automaticamente o melhor modelo de IA para cada tarefa específica.
A assistente aprende preferências do usuário ao longo do tempo, como restrições alimentares ou alergias. Também mantém conversas com fluxo mais natural e humano, segundo a empresa. Entre os recursos demonstrados está a capacidade de acessar vídeos de câmeras Ring para verificar, por exemplo, se o cachorro foi passeado.
Daniel Rausch, vice-presidente da Amazon para Alexa e Echo, explicou que o sistema agnóstico permite maior eficiência ao escolher o modelo mais adequado para diferentes situações de uso.
Lançamento faseado e compatibilidade limitada
O acesso antecipado à Alexa+ começa em março nos Estados Unidos, inicialmente apenas em inglês. A prioridade será para usuários que possuem ou comprarem os dispositivos Echo Show mais recentes, que exibem respostas na tela.
Nem todos os dispositivos receberão a atualização. Modelos Echo mais antigos não terão compatibilidade com a Alexa+, mas continuarão funcionando com a versão original e seu logo tradicional. A expansão internacional e para mais dispositivos está prevista para etapas posteriores.
A empresa afirmou ter vendido mais de 600 milhões de dispositivos com Alexa integrada, com crescimento de 20% no engajamento de usuários em 2024 comparado a 2023.
Rebranding como marco de transformação do negócio
A mudança visual da Alexa representa mais que uma atualização estética. Ela simboliza a tentativa da Amazon de resolver um desafio persistente: transformar a popularidade da assistente em vendas efetivas na plataforma. Embora milhões usem a Alexa diariamente, a maioria se limita a tarefas simples como tocar música, fazer perguntas ou verificar a previsão do tempo.
A taxa de assinatura serve para compensar os altos custos de desenvolvimento de IA generativa e tornar as operações de dispositivos mais lucrativas. A Amazon compete diretamente com Apple e Google no mercado de alto-falantes inteligentes, onde possui maior participação de mercado entre assistentes de voz.
O modelo de negócio também se alinha à estratégia de fortalecer o ecossistema Prime. Para os 200 milhões de assinantes Prime globais, a Alexa+ representa mais um benefício incluído, potencialmente aumentando a retenção e o valor percebido da assinatura. A nova identidade visual reforça essa diferenciação entre o produto básico gratuito e a experiência premium.

