A farmacêutica acusa rival de concorrência desleal e pede bloqueio judicial da produção.
A Sanofi Medley entrou na Justiça contra a Cimed com uma acusação pesada: cópia das embalagens de três medicamentos campeões de venda no Brasil. A ação judicial mira especificamente Allegra, Novalgina e Dorflex, produtos que movimentam milhões em farmácias de todo o país. A empresa afirma que a concorrente reproduziu o design visual de forma tão próxima que confunde consumidores no momento da compra.
Guerra de embalagens no balcão da farmácia
A disputa não envolve apenas os medicamentos de marca. A Sanofi Medley incluiu na ação os genéricos da Cimed produzidos com dipirona monoidratada, o analgésico e antitérmico mais vendido no Brasil, e com cloridrato de fexofenadina, princípio ativo do antialérgico Allegra. Segundo a acusação, a semelhança visual entre as embalagens cria uma confusão deliberada que favorece a rival no ponto de venda.
A estratégia da Medley é clara: buscar uma liminar que force a Cimed a parar imediatamente a fabricação e comercialização de Alergomine e Nevralgex, os produtos acusados de mimetizar o visual dos originais. O pedido de urgência indica que a empresa enxerga prejuízo financeiro imediato com a situação.

A escolha dos produtos alvos da ação não é aleatória. Dorflex lidera o mercado de relaxantes musculares, enquanto Allegra domina a categoria de antialérgicos de segunda geração. Novalgina, por sua vez, é sinônimo de dipirona para milhões de brasileiros. Qualquer semelhança visual nesse segmento pode representar desvio de vendas na casa dos milhões.
Estratégia de marketing ou imitação desleal?
A acusação de concorrência desleal por imitação de trade dress, o conjunto de elementos visuais que identificam um produto, tornou-se frequente no mercado farmacêutico brasileiro. A Cimed construiu sua trajetória como fabricante de genéricos e similares de baixo custo, estratégia que a transformou em uma das maiores do país. A Sanofi Medley, por outro lado, investe pesado em branding e diferenciação visual para manter suas marcas no topo das preferências.
O caso expõe um dilema do varejo farmacêutico: até onde vai a inspiração em concorrentes e onde começa a cópia ilegal? A Justiça brasileira tem sido rigorosa com casos de parasitismo de marca, especialmente quando há confusão comprovada no consumidor final. Se a Medley conseguir demonstrar que compradores pedem um produto e levam outro por engano, as chances de vitória aumentam.
O desfecho desta batalha judicial pode redefinir limites no design de embalagens farmacêuticas no Brasil e estabelecer um precedente bilionário para o setor.

