Justiça dos EUA aceita caso de jovem que alega dependência das plataformas.
Uma mulher de 19 anos levará Meta, TikTok e YouTube a julgamento na Califórnia acusando as plataformas de terem causado vício durante sua adolescência. O caso, identificado como K.G.M., começa na terça-feira (27) no Tribunal Superior de Los Angeles e marca a primeira vez que os gigantes da tecnologia enfrentarão um júri popular por supostos danos causados por suas redes sociais.
O que está em jogo
A autora alega que os aplicativos foram projetados para capturar atenção de forma viciante, o que teria agravado quadros de depressão e pensamentos suicidas. Ela também relata ter sido vítima de bullying e extorsão dentro das plataformas. O processo argumenta que o design intencional das redes sociais criou dependência psicológica em usuários menores de idade.
Este é o primeiro de uma série de casos semelhantes programados para 2026, todos focados no que advogados chamam de epidemia de vício em mídia social entre crianças e adolescentes.
Segundo Matthew Bergman, advogado da autora, será a primeira vez que as empresas terão que apresentar defesa pública sob escrutínio de um júri. “Elas estarão sob um nível de análise que não existe quando você depõe em comissões do Congresso”, declarou.
Análise de Mercado
O julgamento representa uma mudança crítica no debate sobre responsabilidade das plataformas digitais. Enquanto governos tentam regular o tempo de tela através de legislação, este caso transfere a pressão para o Judiciário e pode criar precedente jurídico bilionário.
Para Meta, ByteDance (dona do TikTok) e Google (YouTube), o risco vai além de indenizações. Uma condenação pode forçar mudanças estruturais nos algoritmos de recomendação, no sistema de notificações e em recursos de engajamento, o núcleo do modelo de negócios dessas empresas. A estratégia de capturar atenção através de feeds infinitos, autoplay automático e notificações constantes está sendo testada juridicamente como produto defeituoso.
O timing também é delicado: com crescente pressão regulatória global sobre proteção infantil online, uma decisão desfavorável nos EUA pode acelerar restrições em outros mercados.

