Casal denuncia controle excessivo e falta de transparência nos pagamentos de campanhas publicitárias.
Gustavo Catunda e Robert Rosselló, donos do perfil @2depais com mais de 2,5 milhões de seguidores, usaram as redes sociais para denunciar um prejuízo de R$ 500 mil causado pela agência Hello Group. O casal afirma que, enquanto recebia orientações rígidas para não conversar com marcas nem comparar valores com outros criadores de conteúdo, os pagamentos das campanhas publicitárias simplesmente não chegavam até eles. A revelação aconteceu nesta quinta-feira, 23 de janeiro, e levantou debates sobre os bastidores da indústria de influência digital no Brasil.
O esquema de controle total
Segundo Robert Rosselló, a agência mantinha um discurso constante de proteção da imagem dos influenciadores. “Nunca conte qual é o seu trabalho, quanto você está ganhando, nunca fale com as pessoas, porque isso vai te derrubar”, era a frase repetida pelos representantes. O que parecia cuidado profissional, na verdade, criava uma barreira entre o casal e as marcas anunciantes. Sem acesso direto aos contratos ou comprovantes de pagamento, eles não tinham como fazer qualquer conferência independente dos valores.
A promessa era sempre a mesma: “Deixa que eu tomo conta de tudo, eu resolvo tudo”. Com toda a comunicação intermediada pela Hello Group, os influenciadores confiaram no processo e seguiram as regras impostas. O problema é que, ao longo do tempo, começaram a perceber inconsistências entre o volume de trabalho e os valores recebidos. Foi aí que a desconfiança começou a crescer e levou o casal a investigar mais a fundo a relação comercial.
A descoberta do rombo milionário
Quando finalmente conseguiram acesso aos valores reais negociados com as marcas, Gustavo e Robert descobriram uma diferença brutal. Campanhas que eles acreditavam valer determinado montante, na verdade, haviam sido fechadas por valores muito superiores. A conta não batia de jeito nenhum. O rombo estimado chegou aos R$ 500 mil, dinheiro que deveria ter sido repassado aos influenciadores mas ficou retido pela agência.
O desabafo nas redes viralizou rapidamente. Outros criadores de conteúdo começaram a compartilhar experiências semelhantes nos comentários, o que sugere que o problema pode ser mais amplo do que um caso isolado. A falta de transparência e o controle excessivo parecem ser práticas comuns em algumas agências que gerenciam perfis de grande porte no Instagram e TikTok.
Análise de Mercado
O caso expõe uma fragilidade estrutural no mercado de influência digital brasileiro. Agências que centralizam toda a comunicação entre criadores e marcas acabam criando uma assimetria de informação perigosa. Quando o influenciador não tem acesso direto aos contratos, fica impossível validar se os valores repassados correspondem ao que foi efetivamente negociado. Essa opacidade é um prato cheio para práticas abusivas.
Do ponto de vista de gestão de marca pessoal, o episódio serve como alerta para criadores de conteúdo profissionalizarem suas operações. Contratar contadores, advogados especializados em direito digital e exigir transparência total nos contratos deixou de ser opcional. O influenciador precisa entender que é um empresário da própria imagem, e delegar tudo sem controle é colocar o patrimônio em risco. A denúncia pública de @2depais pode ser o ponto de virada para uma regulamentação mais clara nesse mercado bilionário.

