Marca lança filme global que imagina o caos se um erro técnico quebrasse as bolhas sociais das redes.
A Heineken estreia hoje no Brasil a campanha “Algoritmo”, filme global que provoca uma reflexão incômoda sobre como a tecnologia está reduzindo nossas conexões sociais. A ação, criada pela agência LePub e dirigida por Abhinav Pratiman, imagina um cenário ficcional onde um estagiário que esfria cerveja na sala de servidores do Vale do Silício causa um “surto de algoritmo” que força pessoas completamente diferentes a interagirem.
O conceito por trás do caos digital
O filme constrói uma narrativa onde o erro técnico quebra as bolhas sociais criadas pelos algoritmos das redes sociais. Na trama, o sistema passa a recomendar conexões aleatórias entre pessoas que nunca se encontrariam pelos critérios de afinidade das plataformas. O resultado é um choque cultural planejado para ilustrar como estamos presos em ciclos de convivência previsível.
A escolha de um estagiário como protagonista do erro não é acidental. A marca usa o humor para suavizar uma crítica direta ao modelo de negócios das big techs, que lucram mantendo usuários em ambientes digitais controlados e homogêneos.
Estratégia de marca consolidada
A Heineken não está improvisando. Esta campanha dá continuidade a um posicionamento que a cervejaria holandesa vem construindo há anos, sempre defendendo as conexões presenciais em um mundo dominado por telas. A lógica é simples: cerveja se vende em bares, festas e encontros reais, não em feeds infinitos de scroll.
Campanhas anteriores já exploraram esse território. A marca invadiu a Netflix para oferecer vouchers de Uber e tirar consumidores do sofá. Trocou áudios longos de WhatsApp por cerveja grátis. Transformou rooftops em Seul em palcos para shows intimistas de K-pop. O padrão se repete: criar situações que justifiquem o consumo coletivo da bebida.
Análise de mercado
A estratégia da Heineken é uma resposta inteligente ao desafio estrutural que todas as marcas de bebidas alcoólicas enfrentam. Com o aumento do tempo de tela médio global e a ascensão do estilo de vida digital, o consumo presencial de cerveja enfrenta concorrência direta do entretenimento doméstico. A campanha não é altruísta, é uma defesa comercial da categoria.
Ao posicionar-se como antagonista dos algoritmos, a marca constrói um discurso que ressoa com a crescente insatisfação pública sobre bolhas digitais e polarização. É branding político sem entrar na política, uma jogada que permite à Heineken surfar uma tensão cultural real sem gerar rejeição de nenhum lado do espectro ideológico.

