Escola de idiomas lança campanha com três filmes humorísticos que expõem as falhas de tradutores automáticos e apps de ensino em situações reais.
A Open English estreou uma campanha publicitária com três vídeos que questionam a confiança excessiva em aplicativos de tradução, ferramentas de IA e programas como o Duolingo para aprender inglês. Os filmes exploram situações cotidianas onde a tecnologia falha, deixando os protagonistas em situações constrangedoras.
A estratégia por trás da provocação
A campanha surge em um momento estratégico para o mercado de ensino de idiomas. Com tradutores automáticos cada vez mais sofisticados e aplicativos gratuitos de idiomas se tornando mainstream, empresas tradicionais do setor precisam justificar seu valor.
A Open English encontrou uma narrativa clara: tecnologia ajuda, mas não substitui o aprendizado estruturado. A empresa aposta no conceito de que bateria acaba, Wi-Fi cai, e constrangimento não tem ctrl+z.
As três situações da campanha
Os filmes apresentam cenários reconhecíveis para qualquer estudante de inglês. Em “Modo Avião”, o personagem ensaia seu pedido de refeição usando um tradutor automático, mas trava completamente quando a comissária de bordo foge do script ensaiado.
“Pronunciation Fail” explora a diferença brutal entre arranhar o idioma e ter fluência real, mostrando como a pronúncia incorreta pode gerar mal-entendidos. Já “Entrevista” encena o pesadelo de quem inflou o currículo com fluência em inglês e precisa provar ao vivo durante uma seleção de emprego.
O conceito e roteiro foram desenvolvidos pela equipe interna da Open English, com produção da F5 Creative Films.
O posicionamento contra a promessa inflada da IA
Para Andrés Moreno, CEO e fundador da Open English, o alvo da campanha não é a tecnologia em si, mas a narrativa exagerada de que ela elimina a necessidade de estudo formal. “Ferramentas digitais podem acelerar o progresso, mas fluência se constrói com prática real”, afirmou o executivo.
A estratégia da empresa reconhece o papel das ferramentas digitais no processo de aprendizado, mas posiciona o ensino estruturado como insubstituível. Trata-se de uma defesa direta do modelo de negócio em um mercado cada vez mais disputado por soluções gratuitas e tecnológicas.
A abordagem humorística permite que a marca critique concorrentes indiretos, como apps de idiomas e tradutores de IA, sem soar defensiva ou antiquada, ao mesmo tempo em que reforça sua proposta de valor: preparar o aluno para situações reais, onde a tecnologia pode não estar disponível ou ser suficiente.

