Mascote icônico da rival vira protagonista do comercial mais provocativo do ano.
A Pepsi acaba de lançar a provocação mais direta contra a Coca-Cola em anos. No comercial “The Choice”, que será exibido durante o Super Bowl 60, um urso polar, símbolo icônico da concorrente desde os anos 1990, protagoniza um teste cego de sabor. O resultado? Ele escolhe Pepsi Zero Sugar no lugar da Coke Zero Sugar e entra em colapso existencial diante da própria decisão.
O filme de 30 segundos foi dirigido por Taika Waititi, cineasta neozelandês conhecido por trabalhos como Thor: Ragnarok e JoJo Rabbit. A escolha do diretor reforça o tom de humor ácido e timing cômico perfeito que a marca buscava para esse momento de confronto direto.
A provocação vem com números reais
A Pepsi não está blefando. A marca revelou que 66% dos participantes em testes cegos realizados em 2025 preferiram Pepsi Zero Sugar à Coke Zero Sugar. Os testes foram conduzidos em 34 mercados diferentes, o que dá escala e credibilidade à campanha. Usar dados de pesquisa como argumento de venda é estratégia clássica da Pepsi, que já fez isso nos anos 1970 com o “Pepsi Challenge”.
Dessa vez, porém, a marca vai além. Ao sequestrar o urso polar, mascote que a Coca-Cola construiu ao longo de décadas como símbolo de Natal, família e felicidade, a Pepsi desafia não só o produto, mas a própria narrativa emocional da rival.
Super Bowl como palco de guerra
O Super Bowl é o espaço publicitário mais caro e mais assistido dos Estados Unidos. Um único comercial de 30 segundos pode custar até US$ 8 milhões em 2025, sem contar produção. A decisão de usar esse espaço para atacar diretamente a Coca-Cola mostra que a Pepsi está apostando todas as fichas na categoria zero açúcar, segmento que cresce enquanto os refrigerantes tradicionais perdem mercado.
A escolha do urso polar também funciona como meme instantâneo. A imagem do mascote em crise existencial já tem potencial viral, o que multiplica o alcance da campanha muito além dos minutos de TV.
O que está por trás da jogada
A estratégia da Pepsi é um mix de comparative advertising e brand hijacking. Ao pegar o símbolo mais reconhecível da Coca-Cola e fazê-lo virar a casaca, a marca cria desconforto e atenção imediata. É marketing de guerrilha em horário nobre. A mensagem subliminar é clara: se até o urso polar trai a Coca-Cola quando o gosto é colocado à prova, por que você não deveria?
Além disso, a campanha se apoia em uma mudança de comportamento do consumidor. O público jovem valoriza transparência e evidências. Mostrar dados de teste cego em vez de apenas gritar “somos melhores” dá peso de credibilidade. E usar Taika Waititi, um diretor cult com apelo entre millennials e Gen Z, conecta a marca com quem realmente importa para o futuro das vendas de refrigerante zero.
A Pepsi não está vendendo refrigerante. Está vendendo a sensação de fazer a escolha certa, mesmo que ela contrarie a tradição. E isso, em tempos de polarização e quebra de dogmas, pode valer muito mais do que 30 segundos de TV.

