A cidade virou showroom ao ar livre. E a mensagem é clara: não precisa ir longe.
A IKEA acaba de transformar Copenhague em uma experiência de unboxing em tamanho real. A campanha de mídia exterior, criada pela agência dinamarquesa Marketsquare, cobriu prédios, ônibus e mobiliário urbano com gráficos gigantes das icônicas embalagens flat-pack da marca. O objetivo? Reposicionar a loja do centro da cidade como um ponto de retirada completo, inclusive para móveis maiores.

A cidade embalada
Em vez de destacar sofás ou guarda-roupas específicos, a IKEA optou por uma abordagem literal e urbana. As famosas embalagens planas da marca ganharam proporções monumentais e invadiram o espaço público. Ônibus circulam pela cidade com a identidade visual característica. Fachadas de prédios simulam caixas prontas para serem abertas. Até pontos de mobiliário urbano entraram na jogada.

A estratégia visual é simples, mas poderosa: se a cidade está embalada como um produto IKEA, é porque agora ela também funciona como ponto de retirada. Não é mais necessário pegar o carro e dirigir até as gigantescas lojas nos subúrbios. O centro virou destino final.
A campanha não vende produto. Vende conveniência. E faz isso usando o próprio DNA visual da marca como linguagem de comunicação.

Mudança de hábito, não de produto
O desafio da IKEA em Copenhague não era apresentar novidades no catálogo. Era mudar a percepção de que móveis grandes exigem viagens longas. A marca identificou uma barreira comportamental: clientes ainda associam compras de móveis volumosos a lojas de grande porte fora do centro urbano.
A solução não foi publicitária no sentido tradicional. Foi territorial. Ao ocupar visualmente a cidade com suas embalagens, a IKEA criou presença física onde antes havia apenas distância. A mensagem subliminar é direta: se está embalado aqui, está disponível aqui.
Esse tipo de campanha funciona porque alinha mídia exterior com mudança de comportamento. Não é apenas awareness. É reposicionamento geográfico. A Marketsquare entendeu que o problema não estava no produto, mas na logística percebida. E resolveu isso transformando a cidade inteira em uma grande prateleira visual.
A IKEA não precisou inventar um novo conceito. Apenas aplicou o que já tem de mais reconhecível, as embalagens flat-pack, em escala urbana. Resultado: campanha memorável, custo de produção criativo relativamente baixo e impacto direto no ponto de venda.

