A capital holandesa se torna referência europeia ao banir anúncios de alto impacto climático a partir de maio.
Amsterdã aprovou a proibição de anúncios de combustíveis fósseis e carne em espaços públicos e na rede de transporte da cidade. A medida, aprovada pelo conselho municipal em 22 de janeiro, deve entrar em vigor em 1º de maio e coloca a capital da Holanda na liderança de uma tendência que vem ganhando força em cidades europeias.

O que está proibido e quem propôs a medida
A nova regra veta campanhas publicitárias ligadas a viagens aéreas, cruzeiros e carros movidos a gasolina, além da promoção de produtos associados a alto impacto climático. A proposta foi apresentada pelos partidos GroenLinks, de orientação ambientalista, e Partij voor de Dieren, voltado ao bem-estar animal.

Para defensores da iniciativa, a restrição é necessária para alinhar políticas públicas à urgência climática. “Anúncios que retratam combustíveis fósseis como algo normal agravam a crise climática e não têm lugar em uma cidade, ou em um país, que aderiu ao Acordo de Paris“, afirmou Femke Sleegers, coordenadora da campanha Reclame Fossielvrij, quando a proposta foi apresentada, segundo o site EuroNews.
Apesar da aprovação, a vice-prefeita Melanie van der Horst defendeu um período de transição mais longo, argumentando que a entrada em vigor em maio pode ser rápida demais para adaptação de empresas e operadores de publicidade.
Amsterdã segue tendência nacional e europeia
A capital holandesa se junta a outras cidades do país que já adotaram medidas semelhantes, como Utrecht, Haia, Zwolle, Delft e Nijmegen. Grupos que pressionam pela regulação defendem que anúncios de combustíveis fósseis devem seguir lógica semelhante à aplicada à publicidade de tabaco e álcool.
Enquanto a Holanda prioriza iniciativas locais, outros países europeus avançam com legislações nacionais. A França se tornou, em 2022, o primeiro país do continente a proibir anúncios de combustíveis fósseis por meio de uma lei climática que inclui penalidades de até €100 mil para empresas que descumprirem a norma.
Na Itália, a cidade de Florença aprovou, no início de fevereiro, uma moção para banir publicidade de combustíveis fósseis em espaços públicos, incluindo anúncios de voos, cruzeiros, contratos de energia fóssil e veículos.
A estratégia por trás da proibição
A medida de Amsterdã representa uma mudança estrutural na forma como as cidades europeias encaram a comunicação comercial em relação à crise climática. Ao restringir anúncios de produtos com alta pegada de carbono, o poder público assume o papel de regulador ativo, não apenas de emissor de metas ambientais abstratas.
A lógica por trás da proibição é clara: se governos se comprometem com a redução de emissões, permitir publicidade que normaliza ou incentiva o consumo de combustíveis fósseis cria uma contradição institucional. A estratégia também desafia marcas a repensar suas campanhas e investir em soluções de baixo carbono, criando pressão de mercado para a transição energética.
Com a entrada em vigor prevista para maio, Amsterdã pode se tornar um modelo para outras capitais europeias que avaliam medidas similares, ampliando o alcance de uma regulação que ainda está em estágio inicial, mas já provoca debates sobre liberdade comercial, saúde pública e responsabilidade climática.

