O primeiro mês do ano de 2026 trouxe ações memoráveis que combinaram criatividade, ousadia e timing perfeito.
Janeiro começou com tudo no universo da publicidade. Entre batalhas de gigantes, ativações de guerrilha e collaborations inusitadas, o mês mostrou que criatividade não tem limite quando marcas ousam sair da caixa. De um urso polar existencialista a um copo gigante de espuma na neve canadense, selecionamos as 10 campanhas que dominaram as conversas online e offline neste início de ano.
TOP 3: As campanhas que roubaram a cena
1º lugar: Pepsi provoca Coca-Cola com urso polar em crise existencial
A Pepsi foi direto ao ponto mais sensível da concorrente. A marca criou um comercial protagonizado por um urso polar, símbolo histórico da Coca-Cola, vivendo uma verdadeira crise existencial. A narrativa mostra o animal questionando suas escolhas de vida, numa metáfora clara sobre a mudança de preferência dos consumidores. A campanha explodiu nas redes sociais, gerando milhões de interações e reacendendo a guerra histórica entre as duas gigantes do refrigerante.
2º lugar: Burger King resgata Betinho abandonado no Pico Paraná
O Burger King transformou uma tragédia viral em conteúdo publicitário genial. Depois que o boneco Betinho viralizou ao ser abandonado no Pico Paraná, a rede de fast food criou um comercial mostrando o resgate do mascote. A ação surfou na onda do momento certo, humanizando a marca e gerando identificação emocional com o público que acompanhou a história nas redes. A peça equilibrou humor e sentimento, características essenciais do branding contemporâneo da marca.
3º lugar: Carmed lança sabor energético em collab com Toguro da Mansão Maromba
A Carmed acertou em cheio ao mirar no público fitness com uma colaboração inusitada. A marca de protetor labial lançou uma versão com sabor energético em parceria com Toguro, figura conhecida da Mansão Maromba. A embalagem roxa e o posicionamento voltado para academia mostraram que a marca entende os nichos de consumo da geração Z. A estratégia de usar influenciadores do universo fitness para um produto de cuidados pessoais foi criativa e eficaz.

As outras 7 campanhas que mereceram destaque
4º lugar: Volvo antecipa EX30 com Rayssa Leal antes da carteira de habilitação
A Volvo apostou em timing publicitário perfeito ao escalar Rayssa Leal para anunciar o EX30 antes mesmo dela tirar carteira de habilitação. A narrativa do “futuro que já chegou” casa perfeitamente com a imagem jovem da skatista e a tecnologia elétrica do veículo. A campanha gerou conversas sobre mobilidade, sustentabilidade e as novas gerações que pensam transporte de forma diferente.
5º lugar: Fys aproveita primeira eliminação do BBB 2026 com Kerline
A Fys mostrou agilidade comercial ao lançar um filme com Kerline durante a primeira eliminação do Big Brother Brasil 2026. A marca de suco surfou no momento exato em que a sister estava em alta nas redes, aproveitando o pico de atenção. Essa estratégia de real time marketing demonstra como marcas podem capitalizar eventos de grande audiência com velocidade e relevância cultural.
6º lugar: Tânia Maria e Burger King celebram indicação ao Oscar
O Burger King aparece novamente no ranking, desta vez ao lado de Tânia Maria, para celebrar a indicação do filme “O Agente Secreto” ao Oscar. A ação conectou entretenimento, cultura brasileira e fast food numa narrativa que extrapolou o produto. A campanha mostra como a marca brasileira consegue estar presente em momentos culturalmente relevantes com naturalidade.
7º lugar: Disney+ parodia “Onda Onda” para promover Percy Jackson
O Disney+ abrasileirou a divulgação da série Percy Jackson ao criar uma paródia de “Onda Onda” com Tchanakabum. A estratégia de tropicalizar conteúdo internacional demonstra entendimento profundo do mercado local. Usar um hit viral da cultura pop brasileira para promover uma produção americana é marketing de localização na melhor forma.
8º lugar: Snickers transforma trem de carga em outdoor ambulante na Austrália
A Snickers levou mídia out of home a outro nível na Austrália. A marca transformou um trem de carga com 50 vagões em um outdoor ambulante gigante. A ação de guerrilha urbana chamou atenção pela escala e pela criatividade de usar infraestrutura de transporte como mídia. É publicidade que literalmente não dá para ignorar.
9º lugar: Leroy Merlin muda nome após piada de Stranger Things
A Leroy Merlin mostrou flexibilidade e senso de humor ao mudar o nome do perfil depois que Stranger Things brincou que teria “nome de Leroy”. A marca abraçou o meme e transformou uma possível crise em oportunidade de engajamento. Essa capacidade de rir de si mesmo e participar da cultura digital é essencial para marcas que querem se manter relevantes.

10º lugar: Stella Artois transforma neve de Toronto em copo gigante
A Stella Artois aproveitou a neve de Toronto para criar uma instalação artística impressionante: um copo gigante que literalmente enche de espuma. A ativação combinou clima local, identidade de marca e espetáculo visual. É o tipo de ação que gera foto, vídeo e compartilhamento orgânico, maximizando o retorno sobre investimento.

Menções Honrosas: Campanhas que quase entraram no TOP 10
Air Canada emociona com atleta paralímpico
A Air Canada criou um dos comerciais mais emocionantes de janeiro ao protagonizar um atleta paralímpico da Seleção Canadense. O filme mostra a jornada de superação do esportista, conectando os valores de inclusão e excelência da companhia aérea com a narrativa inspiradora do paradesporto. A peça fugiu do clichê ao apresentar o atleta como herói comum, não como figura de pena. A estratégia reforça o posicionamento da marca como empresa que acredita no potencial humano sem limitações, gerando identificação emocional genuína com o público.
Lindt cria chocolate em formato de bola de tênis para Australian Open
A Lindt demonstrou criatividade ao lançar chocolates em formato de bola de tênis especialmente para o Australian Open. A ação de product placement conectou a sofisticação da marca suíça com a elegância do tênis profissional. Os chocolates foram distribuídos no torneio e vendidos em edição limitada, transformando o produto em item colecionável. A estratégia de criar formatos exclusivos para eventos esportivos mostra como marcas premium podem ativar sponsorships de maneira criativa, indo além da simples exposição de logo.

Ikea espalha caixas gigantes por Copenhague
A Ikea transformou Copenhague em showroom a céu aberto ao espalhar réplicas gigantes de suas icônicas caixas marrons pela cidade. A ação de guerrilha urbana chamou atenção pela escala monumental e pela curiosidade que gerou nos moradores. As caixas gigantes continham QR codes que direcionavam para produtos específicos da loja, conectando o offline ao online. A campanha prova que mídia out of home criativa ainda surpreende quando executada com ousadia e entendimento do espaço urbano como extensão da marca.

O Social Media que viralizou com vídeos do ensaio da Anitta
O social media quebrou protocolos corporativos e viralizou ao postar vídeos no ensaio da Anitta na própria conta comercial da empresa. A ação inusitada transformou diversão em estratégia de employer branding, mostrando que a empresa valoriza cultura e proporciona experiências aos colaboradores. Os vídeos geraram milhares de interações e posicionaram a agência como lugar desejável para trabalhar. A campanha demonstra que autenticidade e quebra de formalismo podem ser ferramentas poderosas de comunicação corporativa no ambiente digital.

O que podemos aprender com essas campanhas
Janeiro de 2026 deixou lições valiosas para profissionais de marketing e agências que querem se destacar. A primeira delas é que timing vale mais que orçamento. O Burger King provou isso ao transformar um viral espontâneo em conteúdo publicitário com velocidade cirúrgica. A segunda lição vem da Pepsi, mostrando que ousadia calculada ainda movimenta conversas. Atacar o ícone mais sensível da concorrente exige coragem, mas quando bem executado, gera retorno desproporcional em mídia espontânea.
A terceira lição é sobre conhecer profundamente seu público. A Carmed não tentou falar com todo mundo, mirou especificamente no nicho fitness e acertou em cheio. Marcas que entendem subculturas conseguem criar conexões mais autênticas do que campanhas genéricas. A quarta lição vem da Leroy Merlin e do Disney+, abraçar a cultura digital e os memes é obrigatório. Marcas que levam a sério demais perdem relevância com a geração que consome conteúdo em velocidade máxima.
A quinta lição é sobre infraestrutura criativa. A Snickers na Austrália e a Ikea em Copenhague mostraram que mídia out of home ainda impressiona quando pensa grande. Usar o ambiente urbano de forma disruptiva gera compartilhamento orgânico que multiplica o investimento. E a última lição, talvez a mais importante, vem de todas essas campanhas juntas: autenticidade vence produção cara. O público de 2026 detecta falsidade a quilômetros de distância. Marcas que são genuínas, que sabem rir de si mesmas e que entendem o momento cultural, são as que realmente ficam na memória.

