A empresa testa aplicativo independente chamado Vibes no Brasil e México, separando o feed de conteúdo artificial do Meta AI principal.
A Meta está testando o lançamento de um aplicativo autônomo de vídeos curtos gerados por inteligência artificial chamado Vibes. A versão inicial já está disponível no Brasil e no México, funcionando como uma espécie de TikTok onde cada vídeo exibido foi criado por IA, sem participação humana na produção.

O movimento surge após o desempenho positivo do feed Vibes integrado ao aplicativo Meta AI, lançado em setembro de 2024. A empresa decidiu separar esse recurso em uma plataforma dedicada, focada exclusivamente em conteúdo de vídeo em tela cheia gerado por inteligência artificial.
Da integração ao aplicativo independente
O aplicativo independente separa o feed de vídeos Vibes dos outros elementos do Meta AI, que estão relacionados principalmente ao emparelhamento dos óculos inteligentes da Meta com dispositivos móveis. Segundo a empresa, a decisão se baseia no comportamento dos usuários.
“Após o forte sucesso inicial do recurso Vibes no Meta AI, estamos testando um aplicativo independente para aproveitar esse impulso. Observamos que os usuários estão cada vez mais utilizando o formato para criar, descobrir e compartilhar vídeos gerados por IA com amigos. Este aplicativo independente oferece um espaço dedicado para essa experiência, proporcionando um ambiente mais focado e imersivo”, afirmou a Meta em comunicado oficial.

A empresa também reportou que o conteúdo gerado por meio do aplicativo Meta AI triplicou em relação ao ano anterior no quarto trimestre de 2025. No entanto, essa estatística precisa ser contextualizada: o feed Vibes só foi lançado em setembro, ou seja, no próprio quarto trimestre, o que significa que não havia uma forma simples de gerar esse tipo de conteúdo antes desse período.
Funcionalidades e evolução do Vibes
Desde o lançamento inicial em setembro, a Meta adicionou uma série de opções de edição e personalização ao Vibes. O aplicativo permite criar vídeos do zero, fazer remixes de conteúdos existentes e adicionar elementos visuais e musicais por meio de comandos de texto.

Os vídeos podem ser compartilhados diretamente no feed Vibes, enviados por mensagem ou publicados no Instagram e Facebook Reels, integrando a experiência de conteúdo gerado por IA ao ecossistema mais amplo das plataformas da Meta.
O dilema da criatividade artificial
A estratégia levanta questionamentos sobre a natureza das redes sociais e seu propósito original de facilitar a conexão humana. As ferramentas de IA generativa representam avanços tecnológicos significativos e proporcionam meios de explorar ideias de formas inovadoras, mas carecem do elemento humano e da originalidade que tornam o conteúdo verdadeiramente cativante.
Por sua natureza, as ferramentas de IA generativa são derivadas, baseando-se em conteúdo já existente. A maioria dos resultados, na opinião de críticos, carece daquele toque humano, da alma que torna o conteúdo criado por pessoas genuinamente envolvente. O problema central não está na ferramenta, mas no conceito: se a ideia inicial é ruim, o resultado final também será, independentemente da qualidade técnica da execução.
Esse fenômeno pode gerar o que especialistas chamam de “AI slop” (lixo de IA), onde a facilidade de produção em massa resulta em uma avalanche de conteúdo de baixa qualidade. A maioria das pessoas não possui a capacidade criativa para desenvolver vídeos excelentes, mas agora consegue produzir conteúdo em escala, testando conceitos sem filtro qualitativo.
A aposta bilionária da Meta em IA
A empresa está investindo centenas de bilhões de dólares em desenvolvimento de inteligência artificial, o que explica a motivação de Mark Zuckerberg e sua equipe em demonstrar as possibilidades dessa tecnologia. No entanto, a abordagem parece contraditória aos objetivos fundamentais das redes sociais.
Críticos argumentam que engenheiros sem formação criativa estão tentando sistematizar a criatividade, tornando-a mais acessível através da lógica pura. A criatividade, porém, não se baseia apenas em lógica: ela é expressão da alma humana, tradução da experiência vivida que permite ao espectador ver e sentir as coisas sob outra perspectiva.
A verdadeira criatividade representa o mais próximo que podemos chegar de experimentar o mundo pela perspectiva de outra pessoa, uma experiência fundamentalmente humana que a IA, por mais avançada que seja, ainda não consegue replicar completamente.
O futuro das redes sociais
O lançamento do Vibes como aplicativo independente marca uma aposta da Meta em feeds dedicados exclusivamente a conteúdo gerado por IA. A estratégia representa uma mudança significativa na forma como a empresa enxerga o futuro das redes sociais, priorizando a demonstração de capacidades tecnológicas sobre a facilitação da interação humana genuína.
Resta saber se os usuários aceitarão navegar por feeds infinitos de conteúdo artificial ou se a conexão humana autêntica continuará sendo o elemento diferenciador que define o sucesso das plataformas sociais no longo prazo.

